Confissões - Livro XIII 9
Livro XIII: a leitura alegórica dos dias da criação e o repouso do sétimo dia
Acaso o Pai ou o Filho não pairavam sobre as águas? Se isso for entendido como um lugar, do modo como um corpo o ocupa, então nem mesmo o Espírito Santo ali pairava; mas se for a eminência da divindade imutável acima de toda coisa mutável, então o Pai, o Filho e o Espírito Santo pairavam sobre as águas. Por que, pois, isso foi dito somente do vosso Espírito? Por que dele somente se disse, como se fosse o lugar onde estava, ele que não é lugar, dele de quem unicamente se disse que é o vosso dom? No vosso dom descansamos: ali vos fruímos. Nosso descanso é o nosso lugar. O amor para lá nos eleva, e o vosso Espírito bom exalta a nossa humildade das portas da morte. Na boa vontade há paz para nós. O corpo, por seu peso, tende para o seu lugar. O peso não tende somente para baixo, mas para o seu próprio lugar. O fogo tende para cima, a pedra para baixo; são impelidos por seus pesos, buscam os seus lugares. O azeite derramado debaixo da água sobe acima da água; a água derramada sobre o azeite afunda abaixo do azeite; são impelidos por seus pesos, buscam os seus lugares. As coisas menos ordenadas estão inquietas; são ordenadas, e repousam. Meu peso é o meu amor; por ele sou levado, para onde quer que seja levado. Pelo vosso dom somos inflamados e levados para cima; ardemos e caminhamos. Subimos as subidas no coração, e cantamos o cântico dos degraus. Por vosso fogo, por vosso fogo bom ardemos e caminhamos, porque caminhamos para o alto, para a paz de Jerusalém, porque me alegrei com os que me disseram: 'Iremos para a casa do Senhor.' Ali nos colocará a boa vontade, de modo que nada queiramos senão permanecer ali para sempre.