Confissões - Livro XIII 8
Livro XIII: a leitura alegórica dos dias da criação e o repouso do sétimo dia
Decaiu o anjo, decaiu a alma do homem, e mostraram qual seria o abismo de toda a criatura espiritual no profundo tenebroso, se Vós não houvésseis dito desde o princípio: 'Faça-se a luz', e a luz se houvesse feito, e a Vós aderisse toda inteligência obediente da vossa cidade celeste, e descansasse em vosso Espírito, que se move imutavelmente sobre tudo o que é mutável. De outro modo, o próprio céu do céu seria em si mesmo um abismo tenebroso; agora, porém, é luz no Senhor. Pois até na própria miserável inquietude dos espíritos que decaem e mostram suas trevas, despidas da veste da vossa luz, mostrais bastante quão grande criatura racional fizestes, a qual de modo nenhum basta, para o repouso bem-aventurado, tudo o que é menor que Vós, e por isso nem ela mesma se basta. Pois Vós, Deus nosso, iluminareis as nossas trevas: de Vós nascem as nossas vestes, e as nossas trevas serão como o meio-dia. Dai-me a Vós, meu Deus, restitui-me a Vós. Eis que amo, e, se é pouco, que eu ame com mais força. Não posso medir, para saber quanto me falta de amor para aquilo que basta, a fim de que a minha vida corra para os vossos abraços, e dele não se desvie até esconder-se no esconderijo do vosso rosto. Só isto sei: que mal me vai longe de Vós, não só fora de mim, mas também em mim mesmo, e toda abundância que não é o meu Deus é indigência para mim.