Confissões - Livro XIII 4

Livro XIII: a leitura alegórica dos dias da criação e o repouso do sétimo dia

Que vos faltaria, pois, para o bem que vós mesmo sois para vós, ainda que estas coisas ou de todo não existissem, ou permanecessem informes, coisas que não fizestes por indigência, mas pela plenitude de vossa bondade, contendo-as e convertendo-as à forma, não para que como que vosso gozo se completasse por elas? Pois a vós, que sois perfeito, desagrada a imperfeição delas, de modo que por vós sejam aperfeiçoadas e vos agradem, não, porém, como a um imperfeito, como se também vós houvésseis de ser aperfeiçoado pela perfeição delas. Pois o vosso bom Espírito era levado por sobre as águas, e não levado por elas, como se nelas repousasse. Pois aqueles em quem se diz repousar o vosso Espírito, esses ele faz repousar em si mesmo. Mas era levada por sobre elas a vossa vontade incorruptível e imutável, ela mesma em si suficiente a si mesma, por sobre aquela vida que havíeis feito; para a qual viver não é o mesmo que viver bem-aventuradamente, pois ela vive ainda flutuando em sua própria obscuridade; e a ela resta converter-se àquele por quem foi feita, e cada vez mais viver junto à fonte da vida, e em sua luz ver a luz, e ser aperfeiçoada, e iluminada, e bem-aventurada.