Confissões - Livro XIII 32

Livro XIII: a leitura alegórica dos dias da criação e o repouso do sétimo dia

Graças vos dou, Senhor! Vemos o céu e a terra, seja a parte corporal, superior e inferior, seja a criatura espiritual e corporal; e no ornato destas partes, das quais consta ou toda a massa do mundo ou absolutamente toda a criatura, vemos a luz feita e separada das trevas. Vemos o firmamento do céu, seja entre as águas espirituais superiores e as corporais inferiores como corpo primário do mundo, seja este espaço do ar (porque também este se chama céu), pelo qual vagueiam as aves do céu entre as águas que, em forma de vapor, sobre ele se elevam e gotejam em orvalho mesmo nas noites serenas, e estas que, pesadas, fluem sobre as terras. Vemos a face das águas reunidas pelos campos do mar, e a terra árida ou desnudada ou formada, para que fosse visível e ordenada, e a matéria das ervas e das árvores. Vemos os luzeiros resplandecerem no alto, o sol bastar ao dia, a lua e as estrelas consolarem a noite, e por todos estes serem marcados e assinalados os tempos. Vemos a natureza úmida por toda parte fecundada de peixes e de monstros e de aves, porque a densidade do ar, que sustenta o voo das aves, se condensa pela exalação das águas. Vemos a face da terra adornada com os animais terrestres, e o homem, feito à vossa imagem e semelhança, anteposto a todos os animais irracionais pela vossa própria imagem e semelhança, isto é, pela força da razão e da inteligência; e, assim como na sua alma uma coisa é a que domina aconselhando, outra a que se submete para obedecer, assim também ao varão foi feita corporalmente a mulher, a qual teria, na mente, natureza igual de inteligência racional, mas pelo sexo do corpo de tal modo se submeteria ao sexo masculino, como se submete o apetite da ação para conceber, da razão da mente, a destreza de bem agir. Vemos estas coisas, e cada uma boa, e todas muito boas.