Confissões - Livro XIII 29
Livro XIII: a leitura alegórica dos dias da criação e o repouso do sétimo dia
E atentei, para descobrir se por sete ou oito vezes Vos vistes que boas eram as vossas obras, quando Vos agradaram; e na vossa visão não encontrei tempos pelos quais entendesse que tantas vezes vistes aquilo que fizestes. E disse: 'Ó Senhor, acaso não é verdadeira esta vossa Escritura, visto que Vós, veraz e a própria Verdade, a destes à luz? Por que, então, me dizeis Vós que não há tempos na vossa visão, e esta vossa Escritura me diz que, a cada um dos dias, vistes serem boas as coisas que fizestes; e, ao contá-las, achei quantas vezes?' A isto Vós me dizeis, porque Vós sois o meu Deus e dizeis com voz forte ao ouvido interior do vosso servo, rompendo a minha surdez e clamando: 'Ó homem, sem dúvida o que a minha Escritura diz, eu o digo. E, no entanto, ela o diz temporalmente, mas ao meu Verbo o tempo não chega, pois subsiste em eternidade igual a mim. Assim, aquelas coisas que vós vedes pelo meu Espírito, eu as vejo, do mesmo modo que aquelas coisas que vós dizeis pelo meu Espírito, eu as digo. E assim, ao passo que vós as vedes temporalmente, eu não as vejo temporalmente, como, ao passo que vós as dizeis temporalmente, eu não as digo temporalmente.'