Confissões - Livro XIII 14
Livro XIII: a leitura alegórica dos dias da criação e o repouso do sétimo dia
E eu digo: "Deus meu, onde estais?" Eis onde estais. Respiro em Vós um pouco, quando derramo sobre mim a minha alma em voz de exultação e de confissão, em som de festa que celebra. E ainda está triste, porque recai e se torna abismo, ou antes, sente que ainda é abismo. Diz-lhe a minha fé, que acendestes na noite ante os meus pés: "Por que estás triste, alma, e por que me perturbas? Espera no Senhor." Lâmpada para os teus pés é a Sua palavra. Espera e persevera, até que passe a noite, mãe dos iníquos, até que passe a ira do Senhor, de quem também nós fomos outrora trevas, cujos resíduos arrastamos no corpo morto por causa do pecado, até que sopre o dia e se removam as sombras. Espera no Senhor: pela manhã me apresentarei e contemplarei; sempre Lhe confessarei. Pela manhã me apresentarei e verei a salvação do meu rosto, o meu Deus, que vivificará também os nossos corpos mortais por causa do Espírito que habita em nós, porque sobre o nosso interior tenebroso e fluido misericordiosamente se movia. Por isso, nesta peregrinação, recebemos um penhor, para que já sejamos luz, enquanto ainda em esperança fomos salvos e feitos filhos da luz e filhos do dia, não filhos da noite nem das trevas, que todavia fomos. Entre os quais, também a nós, neste ainda incerto conhecimento humano, só Vós discernis, que provais os nossos corações, e chamais a luz dia e as trevas noite. Pois quem nos distingue senão Vós? E que temos que não tenhamos recebido de Vós, da mesma massa vasos para honra, da qual foram feitos também outros para desonra?