Confissões - Livro XIII 13

Livro XIII: a leitura alegórica dos dias da criação e o repouso do sétimo dia

E, no entanto, ainda pela fé, ainda não pela visão: pois pela esperança fomos salvos. Ora, a esperança que se não é esperança. Ainda o abismo invoca o abismo, mas na voz das vossas cataratas. Ainda também aquele que diz: 'Não pude falar-vos como a espirituais, mas como a carnais', também ele próprio julga ainda não haver alcançado e, esquecendo-se das coisas que ficaram para trás, estende-se para as que estão adiante, e geme oprimido, e a sua alma tem sede de Deus vivo, como os veados pelas fontes das águas, e diz: 'Quando virei?', desejando ser revestido por cima de sua habitação, que vem do céu, e chama o abismo inferior, dizendo: 'Não vos conformeis com este século, mas reformai-vos na novidade da vossa mente', e: 'Não vos torneis crianças no entendimento, mas sede crianças na malícia, para que sejais perfeitos no entendimento', e: insensatos gálatas, quem vos fascinou?' Mas não na sua própria voz; é na vossa, com efeito, que enviastes o vosso Espírito do alto por meio daquele que subiu às alturas e abriu as cataratas dos seus dons, para que o ímpeto do rio alegrasse a vossa cidade. Por ela, com efeito, suspira o amigo do esposo, tendo consigo as primícias do Espírito, mas gemendo ainda em si mesmo, esperando a adoção, a redenção do seu corpo. Por ela suspira (pois é membro da esposa) e por ela tem zelo (pois é amigo do esposo); por ela tem zelo, não por si, porque na voz das vossas cataratas, não na sua própria voz, invoca o outro abismo, por quem, zelando, teme que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também os sentidos deles se corrompam, afastando-se da castidade que está no nosso esposo, vosso único. Que luz é aquela da visão? Quando o virmos como ele é, e passarem as lágrimas que se me tornaram pão de dia e de noite, enquanto se me diz cada dia: 'Onde está o teu Deus?'