Confissões - Livro XII 31

Livro XII: o céu do céu, a matéria informe e a criação a partir do nada

Assim, quando um disser: "Ele entendeu o mesmo que eu", e outro: "Não, mas aquilo que eu entendo", julgo dizer mais religiosamente: "Por que não antes ambas as coisas, se ambas são verdadeiras? E se algum terceiro sentido, e se algum quarto, e se algo inteiramente diverso, contanto que verdadeiro, alguém vir nestas palavras, por que não se de crer que ele todas as viu, esse por quem o Deus único temperou as sagradas Escrituras aos sentidos de muitos que nelas haviam de ver coisas verdadeiras e diversas?" Eu, ao menos, o que sem temor proclamo do meu coração, se algo houvesse de escrever no cume da autoridade, preferiria escrever de tal modo que minhas palavras ressoassem aquilo de verdadeiro que cada qual pudesse apreender destas coisas, a pôr uma sentença verdadeira tão abertamente que excluísse as demais, cuja falsidade não me poderia ofender. Não quero, pois, ó meu Deus, ser tão precipitado a ponto de não crer que aquele varão mereceu de Vós tal graça. Ele certamente, naquelas palavras, sentiu e pensou, ao escrevê-las, tudo o que de verdadeiro aqui pudemos encontrar, e tudo o que não pudemos, ou ainda não pudemos, e que, no entanto, nelas pode ser encontrado.