Confissões - Livro XII 30

Livro XII: o céu do céu, a matéria informe e a criação a partir do nada

Nesta diversidade de sentenças verdadeiras, que a própria verdade gere a concórdia, e que o nosso Deus se compadeça de nós, para que usemos legitimamente da lei, segundo o fim do preceito, que é a caridade pura. E por isso, se alguém me pergunta qual destas coisas sentiu Moisés, aquele vosso servo, não são estas palavras das minhas confissões se não vos confesso: "Não sei." E contudo sei que aquelas sentenças são verdadeiras (excetuadas as carnais, das quais falei o quanto julguei necessário; e a esses pequeninos de boa esperança estas palavras do vosso livro não amedrontam, pois dizem coisas altas com humildade e coisas copiosas com poucas palavras), mas todos nós que, conforme confesso, discernimos e dizemos a verdade nessas palavras, amemo-nos uns aos outros e amemos igualmente a Vós, nosso Deus, fonte da verdade, se é a ela que temos sede, e não a coisas vãs; e honremos de tal modo esse mesmo vosso servo, dispensador desta Escritura, cheio do vosso Espírito, que creiamos que ele, por vossa revelação, ao escrever estas coisas, atendeu àquilo que nelas sobretudo se sobressai, tanto pela luz da verdade quanto pelo fruto da utilidade.