Confissões - Livro XII 32
Livro XII: o céu do céu, a matéria informe e a criação a partir do nada
Por fim, Senhor, Vós que sois Deus e não carne e sangue, se o homem viu algo de menos, porventura poderia ocultar-se ao vosso bom Espírito, que me conduzirá a terra reta, algo daquilo que Vós mesmo havíeis de revelar nas vossas palavras aos leitores vindouros, ainda que aquele por quem foram ditas tenha porventura concebido uma só sentença verdadeira dentre muitas? Mas, se assim é, seja então aquela que ele concebeu mais excelsa que as demais. A nós, porém, Senhor, mostrai ou essa mesma ou outra verdadeira que Vos aprouver, para que, quer nos descubrais este sentido que também revelastes àquele vosso homem, quer outro tirado da ocasião das mesmas palavras, Vós contudo nos apascenteis, e o erro não nos iluda. Eis, Senhor meu Deus, quão muitas coisas escrevemos a partir de tão poucas palavras, quão muitas, eu Vos rogo! Que forças nossas, que tempos bastarão para todos os vossos livros desta maneira? Permiti-me, pois, confessar-Vos neles mais brevemente, e escolher alguma coisa única que Vos houverdes inspirado, verdadeira, certa e boa, ainda que muitas se apresentem, onde muitas se poderão apresentar, com esta fé da minha confissão: que, se eu disser aquilo que sentiu o vosso ministro, reta e otimamente (pois é isto que me convém tentar), mas, se não o houver alcançado, diga eu contudo aquilo que a vossa verdade quis dizer-me por meio das palavras dele, à qual também a ele disse o que quis.