Confissões - Livro X 25
Livro X: a memória, a busca de Deus e o exame das tentações presentes
Mas onde permaneceis na minha memória, Senhor, onde aí permaneceis? Que leito fabricastes para Vós? Que santuário edificastes para Vós? Vós destes esta dignidade à minha memória, a de permanecerdes nela; mas em que parte dela permaneceis, isto é o que considero. Pois transcendi as partes dela que também as feras possuem, ao recordar-me de Vós, porque não Vos encontrava ali entre as imagens das coisas corporais; e cheguei às partes dela onde confiei os afetos do meu ânimo, e tampouco ali Vos encontrei. E entrei até a própria sede do meu ânimo, a que ele tem na minha memória, porquanto também de si mesmo se lembra o ânimo, e nem aí estáveis Vós; pois assim como não sois imagem corporal nem afeto de ser vivente, qual é quando nos alegramos, nos entristecemos, desejamos, tememos, lembramos, esquecemos e tudo o que é deste modo, assim também não sois o próprio ânimo, porque Vós sois o Senhor Deus do ânimo. E todas estas coisas se mudam, mas Vós permaneceis imutável acima de tudo, e Vos dignastes habitar na minha memória desde que Vos aprendi. E por que busco em que lugar dela habitais, como se de fato houvesse lugares ali? Habitais certamente nela, porquanto me lembro de Vós desde que Vos aprendi, e nela Vos encontro, quando me recordo de Vós.