Confissões - Livro X 11

Livro X: a memória, a busca de Deus e o exame das tentações presentes

Por isso descobrimos que aprender estas coisas, cujas imagens não recolhemos pelos sentidos, mas que percebemos por si mesmas, dentro de nós, sem imagens, tais como são, nada mais é senão, pensando, como que reunir e, com atenção, cuidar daquilo que a memória continha aqui e ali, desordenadamente, para que, postas como que à mão na própria memória, onde antes jaziam escondidas, espalhadas e negligenciadas, acorram agora facilmente a uma atenção familiarizada. E quantas coisas deste gênero traz a minha memória, que foram encontradas e, como disse, postas como que à mão, das quais dizemos que aprendemos e conhecemos. Se eu deixar de revolvê-las em moderados intervalos de tempo, de tal modo voltam a submergir-se e como que escorregam para recônditos mais remotos, que de novo precisam ser excogitadas como que novas, dali mesmo outra vez (pois não para elas outra região), e novamente reunidas para que possam ser sabidas, isto é, como que recolhidas de certa dispersão, donde se deriva a palavra cogitar. Pois cogo e cogito estão assim, como ago e agito, facio e factito. Contudo, o espírito reivindicou para si esta palavra de modo próprio, de sorte que se diz propriamente cogitado não aquilo que se recolhe em outro lugar, mas aquilo que se recolhe no espírito, isto é, que se aglomera.