Confissões - Livro VII 9
Livro VII: a libertação do materialismo e a leitura dos livros dos platônicos
E primeiro, querendo mostrar-me como resistis aos soberbos e dais graça aos humildes, e com quanta misericórdia vossa foi demonstrada aos homens o caminho da humildade, porquanto vosso Verbo se fez carne e habitou entre os homens, providenciastes para mim, por meio de certo homem inchado de monstruosíssima soberba, alguns livros dos platônicos vertidos da língua grega para a latina. E ali li, não decerto com estas palavras, mas exatamente isto mesmo, persuadido por muitas e múltiplas razões, que no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Este estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. O que nele foi feito é vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. E que a alma do homem, ainda que dê testemunho da luz, não é contudo ela mesma a luz, mas o Verbo, Deus, é a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo. E que ele estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Mas que veio para o que era seu, e os seus não o receberam; e que a todos quantos o receberam, deu poder de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no seu nome: isto ali não li.