A Cidade de Deus - Livro XXII 7
Livro XXII: a felicidade eterna da cidade de Deus e a ressurreição da carne
Que a crença do mundo em Cristo é resultado do poder divino, não da persuasão humana
Mas é totalmente ridículo fazer menção à falsa divindade de Rômulo como se fosse de algum modo comparável à de Cristo.
Não obstante, se Rômulo viveu cerca de seiscentos anos antes de Cícero, numa época que já era tão esclarecida que rejeitava todas as impossibilidades, quanto mais, numa época que certamente era mais esclarecida, por ser seiscentos anos posterior, a época do próprio Cícero e dos imperadores Augusto e Tibério, a mente humana se recusaria a ouvir ou a crer na ressurreição do corpo de Cristo e em sua ascensão ao céu, e a teria rechaçado como uma impossibilidade, se a divindade da própria verdade, ou a verdade da divindade, e os sinais milagrosos que a corroboravam, não tivessem provado que aquilo podia acontecer e havia acontecido?
Em virtude desses testemunhos, e a despeito da oposição e do terror de tantas perseguições cruéis, a ressurreição e a imortalidade da carne, primeiro em Cristo e, em seguida, em todos no mundo novo, foi crida, foi intrepidamente proclamada e foi semeada por todo o mundo, para ser ricamente fecundada com o sangue dos mártires. Pois liam-se as predições dos profetas que haviam precedido os acontecimentos, eram elas corroboradas por sinais poderosos, e via-se que a verdade não era contrária à razão, mas apenas diversa das ideias costumeiras, de modo que, por fim, o mundo abraçou a fé que com fúria havia perseguido.