A Cidade de Deus - Livro XXII 3
Livro XXII: a felicidade eterna da cidade de Deus e a ressurreição da carne
Da promessa de bem-aventurança eterna aos santos e de castigo perpétuo aos ímpios
Por isso, para não mencionar muitos outros exemplos além destes, assim como agora vemos cumprir-se em Cristo aquilo que Deus prometeu a Abraão quando disse: "Na tua descendência serão benditas todas as nações", assim também há de cumprir-se isto que Ele prometeu à mesma raça, quando disse pelo profeta: "Os que estão em seus sepulcros ressuscitarão"; e ainda: "Haverá um novo céu e uma nova terra: e as coisas passadas não serão lembradas, nem virão à mente; mas eles encontrarão alegria e regozijo nela: pois farei de Jerusalém uma exultação, e do meu povo uma alegria.
E eu me regozijarei em Jerusalém, e me alegrarei no meu povo, e nela não se ouvirá mais a voz do pranto." E por outro profeta proferiu a mesma predição: "Naquele tempo o teu povo será libertado, todo aquele que for achado escrito no livro.
E muitos dos que dormem no pó" (ou, como alguns o interpretam, "no monte") "da terra despertarão, uns para a vida eterna, e outros para a vergonha e o desprezo eterno." E em outro lugar, pelo mesmo profeta: "Os santos do Altíssimo receberão o reino, e possuirão o reino para sempre, sim, para todo o sempre." E pouco depois ele diz: "O seu reino é um reino eterno." Outras profecias referentes a este mesmo assunto eu já apresentei no vigésimo livro, e ainda outras, que não apresentei, encontram-se escritas nas mesmas Escrituras; e estas predições hão de cumprir-se, assim como também já se cumpriram aquelas que os homens incrédulos supunham que seriam frustradas.
Pois é o mesmo Deus que prometeu ambas as coisas, e predisse que ambas haveriam de acontecer: o Deus diante de quem tremem as divindades pagãs, como o atesta até mesmo Porfírio, o mais nobre dos filósofos pagãos.