A Cidade de Deus - Livro XXII 15

Livro XXII: a felicidade eterna da cidade de Deus e a ressurreição da carne

Se os corpos de todos os mortos ressuscitarão com o mesmo tamanho do corpo do Senhor

É certo que Cristo ressuscitou na mesma estatura corporal em que morreu, e que é errôneo afirmar que, quando chegar a ressurreição universal, o seu corpo, a fim de igualar-se aos mais altos, assumirá proporções que não tinha quando apareceu aos discípulos sob a figura que lhes era familiar. Mas, se dissermos que até mesmo os corpos dos homens mais altos hão de ser reduzidos ao tamanho do corpo do Senhor, haverá grande perda em muitos corpos, ainda que Ele tenha prometido que nem um fio de cabelo da cabeça deles pereceria.
Resta, portanto, que concluamos que cada homem receberá o seu próprio tamanho, aquele que possuía na juventude, ainda que tenha morrido velho; ou aquele que teria tido, supondo que tenha morrido antes da sua plenitude.
Quanto ao que o apóstolo disse acerca da medida da idade da plenitude de Cristo, devemos entendê-lo como referindo-se a outra coisa, a saber, ao fato de que a medida de Cristo se completará quando todos os membros, dentre as comunidades cristãs, forem acrescentados à Cabeça; ou então, se o aplicarmos à ressurreição do corpo, o sentido é que todos ressuscitarão nem além nem aquém da juventude, mas naquele vigor e idade a que sabemos que Cristo havia chegado.
Pois até mesmo os homens mais sábios do mundo fixaram o viço da juventude por volta dos trinta anos de idade; e, uma vez transposto esse período, o homem começa a declinar rumo à fase debilitada e mais embotada da velhice. E por isso o apóstolo não falou da medida do corpo, nem da medida da estatura, mas da "medida da idade da plenitude de Cristo".