A Cidade de Deus - Livro XX 12

Livro XX: o juízo final de Deus e a ressurreição dos mortos

Se o fogo que desceu do céu e os devorou se refere ao castigo final dos ímpios

As palavras "E desceu fogo do céu e os devorou" não devem ser entendidas a respeito do castigo final que de ser infligido quando se disser: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno"; pois então eles serão lançados no fogo, e não descerá fogo do céu sobre eles. Neste lugar, o "fogo do céu" entende-se bem da firmeza dos santos, com a qual eles se recusam a prestar obediência aos que se enfurecem contra eles. Pois o firmamento é o "céu", por cuja firmeza esses agressores serão atormentados por um zelo ardente, porquanto serão impotentes para arrastar os santos para o partido do Anticristo.
Este é o fogo que de devorá-los, e este é "de Deus"; pois é pela graça de Deus que os santos se tornam invencíveis, e assim atormentam os seus inimigos. Pois, assim como em bom sentido se diz: "O zelo da Vossa casa me consumiu", assim em mau sentido se diz: "O zelo se apoderou do povo ignorante, e agora o fogo consumirá os inimigos". "E agora", isto é, não o fogo do juízo final.
Ou, se por este fogo que desce do céu e os consome João quis indicar aquele golpe com que Cristo, em sua vinda, de ferir os perseguidores da Igreja que então encontrar vivos sobre a terra, quando matar o Anticristo com o sopro de sua boca, então também isto não é o juízo final dos ímpios; mas o juízo final é aquele que eles hão de sofrer quando se tiver realizado a ressurreição dos corpos.