A Cidade de Deus - Livro XVI 7

Livro XVI: de Noé a Abraão e aos reis, e a linhagem terrena da cidade de Deus

Se também as ilhas mais remotas receberam suas espécies de animais do dilúvio

Levanta-se uma questão acerca de todas aquelas espécies de feras que não são domesticadas, nem se produzem da terra como as rãs, mas que se propagam por pais machos e fêmeas, tais como os lobos e os animais desse gênero; e pergunta-se como puderam elas ser encontradas nas ilhas depois do dilúvio, no qual pereceram todos os animais que não estavam na arca, a menos que a espécie tenha sido restaurada a partir daqueles que se preservaram aos pares na arca. Poderia dizer-se, de fato, que passaram às ilhas a nado, mas isso seria verdadeiro daqueles que estão bem próximos do continente; ao passo que algumas tão distantes, que nos parece que nenhum animal poderia até elas nadar.
Mas se os homens os capturaram e os levaram consigo na travessia, propagando assim essas espécies em suas novas moradas, isso não implicaria uma incrível paixão pela caça. Ao mesmo tempo, não se pode negar que, pela intervenção dos anjos, pudessem eles ser transferidos por ordem ou permissão de Deus.
Se, contudo, foram produzidos da terra como em sua primeira criação, quando Deus disse: "Produza a terra criaturas viventes", isso torna mais evidente que todas as espécies de animais foram preservadas na arca, não tanto em vista de renovar a estirpe, quanto de prefigurar as várias nações que haviam de ser salvas na Igreja; isso, repito, é mais evidente, se a terra produziu muitos animais em ilhas às quais eles não poderiam passar.