A Cidade de Deus - Livro VIII 25

Livro VIII: a teologia natural e os platônicos, e a refutação dos demônios mediadores de Apuleio

Acerca daquelas coisas que podem ser comuns aos santos anjos e aos homens

Por isso, de modo algum devemos buscar, por meio da suposta mediação dos demônios, valer-nos da benevolência ou da beneficência dos deuses, ou antes dos bons anjos, mas sim por nos assemelharmos a eles na posse de uma boa vontade, mediante a qual estamos com eles, e vivemos com eles, e com eles adoramos o mesmo Deus, ainda que não possamos vê-los com os olhos de nossa carne.
Mas não é pela localidade que estamos distantes deles, e sim pelo mérito da vida, distância causada por nossa miserável dessemelhança em relação a eles quanto à vontade, e pela fraqueza de nosso caráter; pois o simples fato de habitarmos na terra sob as condições da vida na carne não impede a nossa comunhão com eles. Ela é impedida quando nós, na impureza de nossos corações, nos apegamos às coisas terrenas. Mas neste tempo presente, enquanto estamos sendo curados para que afinal venhamos a ser como eles são, somos aproximados deles pela fé, se, com o auxílio deles, cremos que Aquele que é a bem-aventurança deles é também a nossa.