A Cidade de Deus - Livro V 16
Livro V: o destino, o livre-arbítrio, a presciência divina e a fonte das virtudes dos antigos romanos
A recompensa dos santos cidadãos da cidade celeste, para os quais é útil o exemplo das virtudes dos romanos
Mas bem diferente é a recompensa dos santos, que mesmo aqui suportaram opróbrios por aquela cidade de Deus que é odiosa aos que amam este mundo. Essa cidade é eterna. Lá ninguém nasce, pois ninguém morre. Lá há felicidade verdadeira e plena, não uma deusa, mas um dom de Deus. De lá recebemos o penhor da fé, enquanto, em nossa peregrinação, suspiramos por sua beleza. Lá o sol não se levanta sobre os bons e os maus, mas o Sol da Justiça protege somente os bons. Lá não se despenderá grande esforço para enriquecer o tesouro público suportando privações em casa, pois ali está o tesouro comum da verdade.
E, portanto, não foi apenas para recompensar os cidadãos de Roma que seu império e sua glória se haviam estendido de modo tão notável, mas também para que os cidadãos daquela cidade eterna, durante sua peregrinação aqui, contemplassem diligente e sobriamente esses exemplos, e vissem quanto amor devem à pátria celeste por causa da vida eterna, se a pátria terrena foi tão amada por seus cidadãos por causa da glória humana.