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A Origem das Espécies - Capítulo VII: Objeções Diversas à Teoria da Seleção Natural

Objeções Diversas

O Capítulo VII na Obra

O Capítulo VII de A Origem das Espécies não estava na primeira edição de 1859. Charles Darwin o acrescentou na sexta edição, de 1872, para responder aos críticos que haviam surgido nos treze anos anteriores. O capítulo reúne objeções diversas à seleção natural e as enfrenta uma a uma. Boa parte dele é uma resposta direta a um único adversário.

Esse adversário é o zoólogo St. George Mivart, católico, que em 1871 publicou On the Genesis of Species. Mivart aceitava a descendência comum, mas negava que a seleção natural fosse a causa principal dela. Darwin reconhece no próprio texto que Mivart reuniu as objeções "com admirável habilidade e força" e que, dispostas assim, elas formam um conjunto formidável. O capítulo é a tentativa de desmontá-las.

Conteúdo do Capítulo

Mivart e a Objeção dos Estágios Iniciais

A objeção que Darwin trata como a mais séria, e que ele mesmo diz ser o único ponto novo que impressionou os leitores, é a dos estágios iniciais de estruturas úteis. O argumento de Mivart é simples e tem força. A seleção natural só preserva o que já é vantajoso. Mas uma estrutura complexa, como a asa de uma ave ou a glândula mamária, só passa a ser útil quando já está bastante formada. De que serviria, então, meia asa, ou o primeiro começo rudimentar de uma glândula, se nesse estágio inicial a estrutura ainda não cumpre função nenhuma? Se os primeiros passos não dão vantagem, a seleção não teria o que preservar, e a estrutura jamais decolaria.

Darwin responde por dois caminhos. O primeiro é a gradação contínua: ele tenta mostrar, caso a caso, que os estágios intermediários eram úteis. A girafa nascente, cujos indivíduos de pescoço um pouco mais longo alcançavam folhas fora do alcance dos outros em tempos de seca, ilustra o ponto. O segundo caminho é a mudança de função: um órgão que surgiu para um fim pode servir a outro no caminho. As pontas de córneo no palato da baleia, primeiro pequenas e quase inúteis, teriam crescido em lamelas de filtragem cada vez mais eficazes, passando pela forma intermediária que se vê no bico do pato. Cada passo, segundo Darwin, é útil por si.

"Já considerei o bastante, talvez mais que o bastante, dos casos selecionados com cuidado por um naturalista habilidoso para provar que a seleção natural é incapaz de explicar os estágios iniciais de estruturas úteis. E mostrei, como espero, que não há grande dificuldade nesse ponto."

Charles Darwin, A Origem das Espécies - Capítulo VII: Objeções Diversas à Teoria da Seleção Natural 5:61

A objeção de Mivart não morreu com a resposta de Darwin. Ela é, no fundo, o argumento do design reembalado em termos biológicos, e segue viva. No fim do século XX o movimento do design inteligente a reformulou: a "complexidade irredutível" de Michael Behe é a mesma pergunta sobre estruturas que só funcionam inteiras. A resposta padrão da biologia continua sendo a de Darwin, a mudança de função, hoje chamada de cooptação ou exaptação, com casos documentados. Onde o debate de fato persiste não é sobre se os passos intermediários existem, mas sobre quanto eles explicam, e essa parte segue em discussão.

A Obra e a Fé

O caso de Mivart mostra que a linha do debate não separava simplesmente fé e ciência. Mivart era católico e evolucionista ao mesmo tempo. Ele aceitava a transformação das espécies e procurava conciliá-la com a criação, atribuindo a Deus uma lei interna de desenvolvimento que guiaria a variação, em vez da seleção natural cega. Sua disputa com Darwin era sobre o mecanismo, não sobre o fato da evolução. Isso desfaz a ideia de que aceitar a descendência comum e manter a fé fossem coisas incompatíveis já no século XIX.

As respostas cristãs cobrem um espectro, e é honesto apresentá-lo sem decidir pelo leitor. Numa ponta está a rejeição: tradições que leem Gênesis como relato literal e recusam a descendência comum. No meio está a evolução teísta, defendida desde 1860 pelo botânico de Harvard Asa Gray, cristão e divulgador de Darwin nos Estados Unidos, que lia a evolução como o método pelo qual Deus criou. Mivart ocupa uma posição própria nesse espectro: evolucionista, mas convencido de que a seleção natural sozinha era insuficiente, uma intuição que o aproxima dos defensores atuais do design. Hoje a evolução teísta é a posição de muitas instituições e teólogos cristãos, ao lado de tradições que seguem recusando a teoria.

Aqui o relato precisa parar onde a evidência para. A biologia confirmou que estruturas mudam de função e documentou muitos casos de cooptação, o que sustenta a resposta de Darwin à objeção dos estágios iniciais. O que a ciência não decide é se há ou não um propósito por trás do processo, pois essa não é uma pergunta que o método experimental responda. O Capítulo VII vale a leitura porque é o texto onde se vê, em primeira mão, um cristão e um naturalista discutindo dentro da mesma evidência, e onde fica claro o que é argumento biológico e o que é a pergunta mais antiga, a do design, que nenhum dos dois lados encerra.