A decapitação na prisão
João Batista, o precursor que batizou Jesus, morreu decapitado por ordem de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia. Os evangelhos de Marcos e Mateus narram o episódio: João fora preso por denunciar o casamento de Herodes com Herodias, mulher de seu irmão. Durante um banquete de aniversário, a filha de Herodias dançou diante dos convidados, e Herodes, encantado, prometeu dar-lhe o que pedisse. Instruída pela mãe, ela pediu a cabeça de João numa bandeja.
17 Porquanto o mesmo Herodes mandara prender a João, e encerrá-lo maniatado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão, porquanto tinha casado com ela.
18 Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.
19 E Herodias o espiava, e queria matá-lo, mas não podia.
20 Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo; e guardava-o com segurança, e fazia muitas coisas, atendendo-o, e de boa mente o ouvia.
21 E, chegando uma ocasião favorável em que Herodes, no dia dos seus anos, dava uma ceia aos grandes, e tribunos, e príncipes da Galiléia,
22 Entrou a filha da mesma Herodias, e dançou, e agradou a Herodes e aos que estavam com ele à mesa. Disse então o rei à menina: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.
23 E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, até metade do meu reino.
24 E, saindo ela, perguntou a sua mãe: Que pedirei? E ela disse: A cabeça de João o Batista.
25 E, entrando logo, apressadamente, pediu ao rei, dizendo: Quero que imediatamente me dês num prato a cabeça de João o Batista.
26 E o rei entristeceu-se muito; todavia, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar.
27 E, enviando logo o rei o executor, mandou que lhe trouxessem ali a cabeça de João. E ele foi, e degolou-o na prisão;
28 E trouxe a cabeça num prato, e deu-a à menina, e a menina a deu a sua mãe.
29 E os seus discípulos, tendo ouvido isto, foram, tomaram o seu corpo, e o puseram num sepulcro.
3 Porque Herodes tinha prendido João, e tinha-o maniatado e encerrado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe;
4 Porque João lhe dissera: Não te é lícito possuí-la.
5 E, querendo matá-lo, temia o povo; porque o tinham como profeta.
6 Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante dele, e agradou a Herodes.
7 Por isso prometeu, com juramento, dar-lhe tudo o que pedisse;
8 E ela, instruída previamente por sua mãe, disse: Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João o Batista.
9 E o rei afligiu-se, mas, por causa do juramento, e dos que estavam à mesa com ele, ordenou que se lhe desse.
10 E mandou degolar João no cárcere.
11 E a sua cabeça foi trazida num prato, e dada à jovem, e ela a levou a sua mãe.
12 E chegaram os seus discípulos, e levaram o corpo, e o sepultaram; e foram anunciá-lo a Jesus.
Lucas registra a prisão de João por Herodes, mas não narra a execução em detalhe; menciona depois que o próprio Herodes ficara perturbado ao ouvir de Jesus, perguntando "quem é este?", pois alguns diziam que João ressuscitara.
19 Sendo, porém, o tetrarca Herodes repreendido por ele por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe, e por todas as maldades que Herodes tinha feito,
20 Acrescentou a todas as outras ainda esta, a de encerrar João num cárcere.
7 E o tetrarca Herodes ouviu todas as coisas que por ele foram feitas, e estava em dúvida, porque diziam alguns que João ressuscitara dentre os mortos; e outros que Elias tinha aparecido;
8 E outros que um profeta dos antigos havia ressuscitado.
9 E disse Herodes: A João mandei eu degolar; quem é, pois, este de quem ouço dizer tais coisas? E procurava vê-lo.
A confirmação de Josefo
O historiador judeu Flávio Josefo confirma, de fonte independente, a execução de João Batista por Herodes Antipas, nas Antiguidades Judaicas (livro 18). Há, porém, uma diferença de ênfase reveladora: Josefo atribui a morte a um cálculo político, o medo de Herodes de que a influência de João sobre as multidões provocasse uma revolta, e situa a execução na fortaleza de Macheronte, a leste do mar Morto. Os evangelhos enfatizam o conflito moral e a trama do banquete. As duas explicações não se excluem: o motivo religioso e o político podiam coexistir.
2 Alguns dos judeus achavam que a destruição do exército de Herodes vinha de Deus, e com toda a justiça, como castigo pelo que ele fizera contra João, chamado o Batista. Pois Herodes o matou [por volta de fevereiro de 32 d.C.]. João era um homem bom, que mandava os judeus praticar a virtude, tanto na justiça uns para com os outros quanto na piedade para com Deus, e assim chegar ao batismo. Pois esse lavar [com água] seria aceitável a Deus se eles o usassem não para a remoção [ou o perdão] de alguns pecados [apenas], mas para a purificação do corpo, supondo que a alma já tivesse sido completamente purificada de antemão pela justiça. Quando [muitos] outros vinham em multidões ao seu redor, pois ficavam profundamente comovidos [ou agradados] ao ouvir suas palavras, Herodes, que temia que a grande influência de João sobre o povo lhe desse o poder e a inclinação de provocar uma rebelião (pois pareciam dispostos a fazer qualquer coisa que ele aconselhasse), julgou melhor matá-lo para evitar qualquer dano que ele pudesse causar, e não se meter em dificuldades por poupar um homem que poderia fazê-lo se arrepender disso quando já fosse tarde demais. Assim, por causa do temperamento desconfiado de Herodes, João foi enviado como prisioneiro a Maqueronte, o castelo que mencionei antes, e ali foi morto. Os judeus tinham a opinião de que a destruição desse exército foi enviada como castigo a Herodes e como sinal do desagrado de Deus para com ele.