História Eclesiástica - Livro III 27

Livro III: a dispersão e a morte dos apóstolos, a queda de Jerusalém, João em Patmos e a formação do cânon do Novo Testamento

O demônio maligno, no entanto, incapaz de arrancar certos outros de sua fidelidade ao Cristo de Deus, encontrou-os suscetíveis em outra direção e assim os conduziu aos seus próprios propósitos. Os antigos, com toda razão, chamaram esses homens de ebionitas, porque mantinham opiniões pobres e mesquinhas a respeito de Cristo.
Pois o consideravam um homem simples e comum, justificado apenas por causa de sua virtude superior, e que era fruto da relação de um homem com Maria. Em sua opinião, a observância da lei cerimonial era totalmente necessária, sob o argumento de que não podiam ser salvos somente pela em Cristo e por uma vida correspondente.
Havia, no entanto, outros além desses, que tinham o mesmo nome, mas evitavam as crenças estranhas e absurdas dos primeiros e não negavam que o Senhor nascera de uma virgem e do Espírito Santo. Ainda assim, como também se recusavam a reconhecer que ele preexistia, sendo Deus, Verbo e Sabedoria, desviaram-se para a impiedade dos primeiros, sobretudo quando, como eles, esforçavam-se por observar rigorosamente o culto corporal da lei.
Esses homens, além disso, achavam necessário rejeitar todas as cartas do apóstolo, a quem chamavam de apóstata da lei, e usavam apenas o chamado Evangelho segundo os Hebreus, dando pouca importância ao restante.
O sábado e o resto da disciplina dos judeus eles observavam exatamente como eles, mas ao mesmo tempo, como nós, celebravam os dias do Senhor em memória da ressurreição do Salvador.
Por isso, em consequência de tal procedimento, receberam o nome de ebionitas, que indicava a pobreza de seu entendimento. Pois é com esse nome que se designa um homem pobre entre os hebreus.