História Eclesiástica - Livro III 26

Livro III: a dispersão e a morte dos apóstolos, a queda de Jerusalém, João em Patmos e a formação do cânon do Novo Testamento

Menandro, que sucedeu a Simão Mago, mostrou-se em sua conduta outro instrumento do poder diabólico, em nada inferior ao primeiro. Ele também era samaritano e levou suas feitiçarias tão longe quanto seu mestre havia levado, ao mesmo tempo que se deleitava em histórias ainda mais extraordinárias que as dele.
Pois afirmava ser ele próprio o Salvador, enviado de éons invisíveis para a salvação dos homens, e ensinava que ninguém poderia dominar os próprios anjos criadores do mundo a menos que primeiro passasse pela disciplina mágica que ele transmitia e recebesse dele o batismo. Os que fossem considerados dignos disso participariam, nesta vida presente, de uma imortalidade perpétua, jamais morreriam, mas permaneceriam aqui para sempre e, sem envelhecer, tornar-se-iam imortais. Esses fatos podem ser facilmente conhecidos nas obras de Irineu.
E Justino, na passagem em que menciona Simão, também conta desse homem, nestas palavras: E sabemos que certo Menandro, também samaritano, da aldeia de Caparateia, foi discípulo de Simão, e que ele igualmente, impelido pelos demônios, veio a Antioquia e enganou muitos com sua arte mágica. E persuadiu seus seguidores de que não morreriam. E ainda existem alguns deles que afirmam isso.
E foi de fato um artifício do diabo tentar, por meio de feiticeiros como esses, que assumiam o nome de cristãos, difamar pela arte mágica o grande mistério da piedade e, através deles, ridicularizar as doutrinas da Igreja a respeito da imortalidade da alma e da ressurreição dos mortos. Mas os que escolheram esses homens como seus salvadores afastaram-se da verdadeira esperança.