História Eclesiástica - Livro III 25
Livro III: a dispersão e a morte dos apóstolos, a queda de Jerusalém, João em Patmos e a formação do cânon do Novo Testamento
Já que tratamos deste assunto, convém resumir os escritos do Novo Testamento que já foram mencionados. Em primeiro lugar, deve-se colocar a santa quaternidade dos Evangelhos; seguindo-os, os Atos dos Apóstolos.
Depois disso devem ser contadas as cartas de Paulo; em seguida, a primeira carta de João, ainda existente, e da mesma forma a carta de Pedro, devem ser sustentadas. Depois delas há de ser colocado, se de fato parecer apropriado, o Apocalipse de João, a respeito do qual apresentaremos as diferentes opiniões no momento oportuno. Estes, então, pertencem aos escritos reconhecidos.
Entre os escritos disputados, que no entanto são reconhecidos por muitos, encontram-se a chamada carta de Tiago e a de Judas, também a segunda carta de Pedro, e as que se chamam segunda e terceira de João, sejam elas do evangelista ou de outra pessoa do mesmo nome.
Entre os escritos rejeitados devem ser contados também os Atos de Paulo, o chamado Pastor, o Apocalipse de Pedro e, além desses, a carta de Barnabé, ainda existente, e os chamados Ensinamentos dos Apóstolos; e ainda, como eu disse, o Apocalipse de João, se parecer apropriado, o qual alguns, como eu disse, rejeitam, mas que outros classificam entre os livros reconhecidos.
E entre estes alguns colocaram também o Evangelho segundo os Hebreus, com o qual se deleitam especialmente aqueles hebreus que aceitaram Cristo. E todos estes podem ser contados entre os livros disputados.
Mas, ainda assim, sentimo-nos compelidos a fornecer um catálogo também destes, distinguindo aquelas obras que, segundo a tradição eclesiástica, são verdadeiras, genuínas e comumente aceitas, daquelas outras que, embora não canônicas mas disputadas, são ao mesmo tempo conhecidas da maioria dos escritores eclesiásticos. Sentimo-nos compelidos a fornecer este catálogo para que pudéssemos conhecer tanto estas obras quanto aquelas que são citadas pelos hereges sob o nome dos apóstolos, incluindo, por exemplo, livros como os Evangelhos de Pedro, de Tomé, de Matias, ou de quaisquer outros além desses, e os Atos de André, de João e dos demais apóstolos, que ninguém pertencente à sucessão dos escritores eclesiásticos julgou digno de menção em seus escritos.
E, além disso, o caráter do estilo destoa do uso apostólico, e tanto os pensamentos quanto o propósito das coisas neles relatadas estão tão completamente em desacordo com a verdadeira ortodoxia que se mostram claramente como ficções de hereges. Por isso não devem ser colocados nem entre os escritos rejeitados, mas todos eles hão de ser descartados como absurdos e ímpios. Prossigamos agora com a nossa história.