Da Hierarquia Celeste 11
Uma vez colocada essas questões convem considerar porque razão nos acostumamos a chamar igualmente “potências celestes” a todas as essências angélicas.
Não podemos dizer como o fizemos para o termo Anjo, que a ordem das Santas Potestades é a última das ordens e que as essências superiores participam na iluminação das ordens inferiores e que essas últimas não tomam parte na iluminação das primeiras.
Tal explicação não justificaria a extensão do nome de potestades celestes a todas as inteligências divinas dos Serafins, dos Tronos ou das Dominações em virtude do princípio segundo o qual as ordens inferiores não participam nas propriedades das superiores.
Restariam os Anjos e antes deles os Arcanjos, os Principados e as Virtudes que os teólogos subordinam às Potestades e que recebem frequentemente na linguagem comum o nome de potestades ou potências celestes ao mesmo título que os outros anjos.
Ao usar o nome de potestades para designar todas as essências não introduzimos nenhuma confusão nas propriedades de cada ordem.
No seio de todas as inteligências divinas distinguimos com efeito três qualidades: a essência, a potência e o ato.
Se nos ocorre designá-las indistintamente por essências ou potências celestes importa considerar que o fazemos por rodeio de palavras e não se trata de atribuir na totalidade às essências subordinadas a eminente propriedade das santas potestades.
Como já foi dito, as ordens superiores possuem as propriedades das inferiores, porque somente uma parte das iluminações primordiais é transmitida às ordens inferiores à medida de suas capacidades.