Contra as Heresias - Livro I 5

Exposicao dos sistemas gnosticos

Cerinto, por sua vez, homem educado na sabedoria dos egípcios, ensinava que o mundo não foi feito pelo Deus primário, mas por certo Poder muito apartado dele e distante daquele Principado que é supremo sobre o universo, e ignorante daquele que está acima de tudo. Representava Jesus como não tendo nascido de uma virgem, mas como sendo filho de José e Maria segundo o curso ordinário da geração humana, ainda que fosse mais justo, mais prudente e mais sábio do que os demais homens. Além disso, após seu batismo, Cristo desceu sobre ele em forma de pomba, vindo do Soberano Supremo, e que então ele proclamou o Pai desconhecido e realizou milagres. Mas, no fim, Cristo se apartou de Jesus, e então Jesus padeceu e ressurgiu, enquanto Cristo permaneceu impassível, visto que era um ser espiritual. Os que se chamam ebionitas concordam que o mundo foi feito por Deus; mas suas opiniões a respeito do Senhor são semelhantes às de Cerinto e Carpócrates. Usam somente o Evangelho segundo Mateus e repudiam o apóstolo Paulo, sustentando que ele foi um apóstata da lei. Quanto aos escritos proféticos, esforçam-se por expô-los de modo um tanto singular: praticam a circuncisão, perseveram na observância daqueles costumes que são prescritos pela lei, e são tão judaicos em seu estilo de vida que chegam a venerar Jerusalém como se fosse a casa de Deus. Os nicolaítas são os seguidores daquele Nicolau que foi um dos sete primeiros ordenados ao diaconato pelos apóstolos. Levam vidas de gozo desenfreado. O caráter desses homens é muito claramente apontado no Apocalipse de João, quando são representados como ensinando que é matéria de indiferença praticar o adultério e comer coisas sacrificadas aos ídolos. Por isso o Verbo também falou deles assim: Mas tens isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.