Contra Celso - Livro VIII 7

Os demônios, o culto a Deus e a lealdade ao Estado

Em seguida, Celso nos exorta a ajudar o rei com todas as nossas forças, e a trabalhar com ele na manutenção da justiça, a lutar por ele; e, se ele o exigir, a lutar sob seu comando, ou a conduzir um exército junto com ele. A isso nossa resposta é que nós, quando a ocasião requer, damos ajuda aos reis, e, por assim dizer, uma ajuda divina, vestindo toda a armadura de Deus. E isso fazemos em obediência à ordem do apóstolo: Exorto, portanto, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em autoridade; e quanto mais alguém se destaca em piedade, mais eficaz ajuda ele presta aos reis, mais até do que a dada pelos soldados que saem para lutar e matar o maior número de inimigos que conseguem. E àqueles inimigos da nossa que exigem que peguemos em armas pelo Estado e que matemos homens, podemos responder: Por acaso os que são sacerdotes em certos santuários, e os que servem a certos deuses, como vocês os consideram, não mantêm suas mãos livres de sangue, para que com mãos puras e livres de sangue humano ofereçam os sacrifícios estabelecidos aos seus deuses? E mesmo quando a guerra está sobre vocês, nunca alistam os sacerdotes no exército. Se, então, esse é um costume louvável, quanto mais o é que, enquanto outros se ocupam na batalha, também nós nos ocupemos como sacerdotes e ministros de Deus, mantendo as mãos puras e lutando em orações a Deus em favor dos que combatem numa causa justa, e pelo rei que reina com justiça, para que tudo o que se opõe aos que agem com justiça seja destruído! E assim como nós, por nossas orações, vencemos todos os demônios que provocam a guerra, que levam à violação de juramentos e que perturbam a paz, deste modo somos muito mais úteis aos reis do que os que vão ao campo lutar por eles. E nós tomamos parte nos assuntos públicos quando, junto com orações justas, unimos exercícios e meditações de abnegação, que nos ensinam a desprezar os prazeres e a não nos deixar levar por eles. E ninguém luta melhor pelo rei do que nós. É verdade que não lutamos sob seu comando, ainda que ele o exija; mas lutamos em favor dele, formando um exército especial, um exército de piedade, ao oferecer nossas orações a Deus.