Contra Celso - Livro VIII 1

Os demônios, o culto a Deus e a lealdade ao Estado

Mas, quando recusamos servir a qualquer outro que não Deus, por meio de seu verbo e sabedoria, fazemos isso não como se com isso causássemos algum dano ou prejuízo a Deus, do mesmo modo como se prejudica um homem quando seu servo entra ao serviço de outro, mas tememos que nós mesmos venhamos a sofrer dano, privando-nos de nossa parte em Deus, pela qual vivemos na participação da bem-aventurança divina e somos imbuídos daquele excelente espírito de adoção que, nos filhos do Pai celestial, clama, não com palavras, mas com efeito profundo no íntimo do coração: Aba, Pai. Os embaixadores lacedemônios, quando levados perante o rei da Pérsia, recusaram-se a prostrar-se diante dele, ainda que os servos tentassem obrigá-los a isso, por respeito àquilo que tinha autoridade e domínio sobre eles, a saber, a lei de Licurgo. Mas os que têm uma embaixada muito maior e mais divina, sendo embaixadores de Cristo, não devem adorar nenhum governante entre os persas, ou gregos, ou egípcios, ou de qualquer nação que seja, ainda que seus oficiais e ministros, demônios e anjos do diabo, procurem obrigá-los a isso e os pressionem a desprezar uma lei que é mais poderosa do que todas as leis sobre a terra. Pois o Senhor daqueles que são embaixadores de Cristo é o próprio Cristo, de quem são embaixadores, e que é o Verbo, que estava no princípio, estava com Deus e era Deus.