Contra Celso - Livro VI 1
Filosofia grega, Platão e o conhecimento de Deus
Deixem, então, que os antigos sábios deem a conhecer suas máximas àqueles que são capazes de entendê-las. Suponha que Platão, por exemplo, o filho de Aríston, em uma de suas Epístolas, esteja discorrendo sobre o bem supremo, e diga: "O bem supremo não pode de modo algum ser descrito em palavras, mas é produzido por longo hábito, e irrompe de repente como uma luz na alma, como de um fogo que saltasse para fora." Nós, então, ao ouvir essas palavras, admitimos que são bem ditas, pois foi Deus quem revelou aos homens estas e todas as outras nobres expressões. E por essa razão é que sustentamos que aqueles que tiveram ideias corretas a respeito de Deus, mas que não lhe ofereceram um culto em harmonia com a verdade, ficam sujeitos aos castigos que caem sobre os pecadores. Pois, a respeito de tais pessoas, Paulo diz em palavras expressas: "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade na injustiça; porque o que de Deus se pode conhecer está manifesto neles, pois Deus lho manifestou. Pois as coisas invisíveis dele, desde a criação do mundo, se entendem e se veem claramente pelas coisas que estão criadas, o seu eterno poder e divindade, de modo que ficam sem desculpa; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, mas se tornaram vãos em seus pensamentos, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis." A verdade, então, é de fato detida (na injustiça), como nossas Escrituras testemunham, por aqueles que são da opinião de que o bem supremo não pode ser descrito em palavras, mas que afirmam que, depois de longo costume e uso familiar, uma luz se acende de repente na alma, como por um fogo que brotasse, e que agora ela se sustenta sozinha.