Contra Celso - Livro IV 4
A providência divina e a descida de Deus aos homens
Ele nos acusa, além disso, de introduzir um homem formado pelas mãos de Deus, embora o livro de Gênesis não tenha feito menção alguma das mãos de Deus, nem ao relatar a criação nem a formação do homem; enquanto são Jó e Davi que usaram a expressão As tuas mãos me fizeram e me formaram; com referência à qual seria preciso um longo discurso para apontar o sentido em que essas palavras foram entendidas por aqueles que as usaram, tanto no que toca à diferença entre fazer e formar, quanto às mãos de Deus. Pois aqueles que não entendem essas e outras expressões semelhantes nas sagradas Escrituras imaginam que atribuímos ao Deus que está acima de todas as coisas uma forma como a do homem; e, segundo suas concepções, segue-se que consideramos o corpo de Deus dotado de asas, já que as Escrituras, entendidas ao pé da letra, atribuem tais apêndices a Deus. O assunto diante de nós, contudo, não exige que interpretemos essas expressões; pois, em nossas observações explicativas sobre o livro de Gênesis, essas matérias foram, da melhor maneira que pudemos, objeto especial de investigação. Observe a seguir a malignidade de Celso no que se segue. Pois a Escritura, falando da formação do homem, diz: E soprou em seu rosto o fôlego da vida, e o homem tornou-se alma vivente. Diante disso, Celso, querendo ridicularizar maliciosamente o sopro, em seu rosto, do fôlego da vida, e não compreendendo o sentido em que a expressão foi empregada, afirma que eles compuseram uma história de que um homem foi formado pelas mãos de Deus e foi inflado por um sopro soprado nele, a fim de que, tomando a palavra inflado como usada de modo semelhante à insuflação de odres, ele pudesse ridicularizar a afirmação Soprou em seu rosto o fôlego da vida, termos que são usados figurativamente e precisam ser explicados, para mostrar que Deus comunicou ao homem do seu Espírito incorruptível; como está dito: Pois o teu Espírito incorruptível está em todas as coisas. Sabedoria 12:1