Contra Celso - Livro II 1

As objeções do judeu de Celso contra Jesus

O primeiro livro da nossa resposta ao tratado de Celso, intitulado O Discurso Verdadeiro, terminou com a cena do judeu se dirigindo a Jesus, e chegou a um tamanho suficiente. Por isso destinamos esta parte presente a responder às acusações que ele faz contra os que se converteram do judaísmo ao cristianismo. E chamamos a atenção, em primeiro lugar, para esta questão específica: por que Celso, uma vez que resolveu pôr personagens no palco do seu livro, não fez o judeu se dirigir aos convertidos do paganismo, em vez dos convertidos do judaísmo? Pois o discurso dele, se fosse dirigido a nós, teria mais chance de causar impressão. Mas é provável que este pretenso conhecedor de tudo não saiba o que é apropriado em representações desse tipo. Por isso, vamos examinar o que ele tem a dizer aos convertidos do judaísmo. Ele afirma que eles abandonaram a lei de seus pais, porque suas mentes foram cativadas por Jesus; que foram enganados do modo mais ridículo; e que se tornaram desertores, indo para outro nome e para outro modo de vida. Aqui ele não observou que os convertidos judeus não abandonaram a lei de seus pais, que vivem segundo seus preceitos, e recebem o próprio nome da pobreza da lei, conforme o sentido literal da palavra. Pois Ebion significa pobre entre os judeus, e os judeus que receberam Jesus como Cristo são chamados pelo nome de ebionitas. Mais ainda, o próprio Pedro parece ter observado por bastante tempo as práticas judaicas ordenadas pela lei de Moisés, sem ter ainda aprendido com Jesus a subir da lei regulada segundo a letra para aquela que é interpretada segundo o espírito. Esse fato nós aprendemos nos Atos dos Apóstolos. Pois no dia seguinte àquele em que o anjo de Deus apareceu a Cornélio, sugerindo que ele mandasse buscar em Jope a Simão, chamado Pedro, Pedro subiu ao quarto de cima para orar, por volta da hora sexta. E teve muita fome e quis comer. Mas, enquanto preparavam a refeição, ele caiu em êxtase e viu o céu aberto, e um certo objeto descendo até ele, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e baixado até a terra. Nele havia toda espécie de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. E veio uma voz a ele: Levanta-te, Pedro; mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor; pois nunca comi nada comum ou impuro. E a voz lhe falou de novo, pela segunda vez: O que Deus purificou, não chames de comum. Agora observe como, por este exemplo, Pedro é apresentado ainda observando os costumes judaicos sobre animais puros e impuros. E pela narrativa que segue fica claro que ele, sendo ainda um judeu, e vivendo segundo as tradições judaicas, e desprezando os que estavam fora dos limites do judaísmo, precisou de uma visão para ser levado a comunicar a Cornélio (que não era israelita segundo a carne) e aos que estavam com ele a palavra da fé. Além disso, na Epístola aos Gálatas, Paulo afirma que Pedro, ainda por medo dos judeus, deixou de comer com os gentios quando Tiago chegou, e se separou deles, temendo os que eram da circuncisão; e os outros judeus, e Barnabé também, seguiram o mesmo caminho. E certamente era bem coerente que não se abstivessem das práticas judaicas aqueles que foram enviados a servir à circuncisão, quando os que pareciam ser as colunas estenderam a mão direita de comunhão a Paulo e Barnabé, para que estes, dedicando-se aos gentios, pregassem a eles. E por que menciono que os que pregavam à circuncisão se afastaram e se separaram dos pagãos, quando o próprio Paulo se fez como judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus? Por isso também nos Atos dos Apóstolos se relata que ele até levou uma oferta ao altar, para satisfazer os judeus de que não era um apóstata da lei deles. Ora, se Celso conhecesse todas essas circunstâncias, não teria feito o judeu usar essa linguagem com os convertidos do judaísmo: O que levou vocês, meus concidadãos, a abandonar a lei de seus pais, e a deixar suas mentes serem cativadas por aquele com quem acabamos de conversar, sendo enganados do modo mais ridículo, a ponto de se tornarem desertores nossos, indo para outro nome e para as práticas de outra vida?
Agora, que estamos tratando de Pedro e dos que ensinavam o cristianismo à circuncisão, não considero fora de lugar citar uma certa declaração de Jesus, tirada do Evangelho de João, e dar a explicação dela. Pois ali se relata que Jesus disse: Tenho ainda muitas coisas a dizer a vocês, mas agora não as podem suportar. Mas, quando vier o Espírito da verdade, ele os guiará a toda a verdade; pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que ouvir. E quando perguntamos quais eram as muitas coisas que Jesus tinha a dizer aos seus discípulos, mas que eles não eram capazes de suportar naquele momento, devo observar que, provavelmente porque os apóstolos eram judeus e tinham sido criados segundo a letra da lei mosaica, ele não podia dizer-lhes qual era a verdadeira lei, nem como o culto judaico consistia no modelo e na sombra de certas realidades celestiais, nem como as bênçãos futuras eram prefiguradas pelas prescrições sobre comidas e bebidas, festas, luas novas e sábados. Esses eram muitos dos assuntos que ele tinha de explicar a eles. Mas, como via que era tarefa extremamente difícil arrancar da mente opiniões que quase nasceram com a pessoa, entre as quais ela foi criada até atingir a maturidade, e que produziram nos que as adotaram a crença de que são divinas, e de que destruí-las é um ato de impiedade; e como era difícil demonstrar, pela superioridade da doutrina cristã, isto é, pela verdade, de modo a convencer os ouvintes, que tais opiniões eram apenas perda e refugo, ele adiou essa tarefa para uma ocasião futura, ou seja, para a que se seguiu à sua paixão e ressurreição. Pois trazer ajuda fora de hora aos que ainda não eram capazes de recebê-la poderia ter destruído a ideia que eles tinham formado de Jesus, como o Cristo e o Filho do Deus vivo. E veja se não alguma razão bem fundada para uma afirmação como esta: Tenho muitas coisas a dizer a vocês, mas agora não as podem suportar. Pois muitos pontos na lei que precisam ser explicados e esclarecidos em sentido espiritual, e esses os discípulos de certo modo não eram capazes de suportar, tendo nascido e sido criados entre judeus. Sou da opinião, além disso, de que, como esses ritos eram figurativos, e a verdade era aquilo que devia ser ensinado a eles pelo Espírito Santo, foram acrescentadas estas palavras: Quando vier aquele que é o Espírito da verdade, ele os conduzirá a toda a verdade. Como se ele tivesse dito: a toda a verdade sobre aquelas coisas que, sendo para vocês apenas figuras, vocês acreditavam constituir um culto verdadeiro que prestavam a Deus. E assim, segundo a promessa de Jesus, o Espírito da verdade veio a Pedro, dizendo-lhe, a respeito dos quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu: Levanta-te, Pedro; mata e come. E o Espírito veio a ele enquanto ainda estava em estado de ignorância supersticiosa, pois ele disse, em resposta à ordem divina: De modo nenhum, Senhor; pois nunca comi nada comum ou impuro. Ele o instruiu, no entanto, no sentido verdadeiro e espiritual das comidas, dizendo: O que Deus purificou, não chames de comum. E assim, depois daquela visão, o Espírito da verdade, que conduziu Pedro a toda a verdade, contou-lhe as muitas coisas que ele não era capaz de suportar enquanto Jesus ainda estava com ele na carne. Mas terei outra oportunidade de explicar aquelas questões ligadas ao sentido literal da lei mosaica.
Nosso objetivo presente, no entanto, é expor a ignorância de Celso, que faz este judeu se dirigir aos convertidos israelitas como se fossem seus concidadãos, da seguinte maneira: O que levou vocês a abandonar a lei de seus pais? e assim por diante. Ora, como teriam abandonado a lei de seus pais aqueles que costumam repreender os que não escutam seus mandamentos, dizendo: Diga-me, você que a lei, não ouve a lei? Pois está escrito que Abraão teve dois filhos; e por adiante, até o ponto onde se diz: essas coisas são uma alegoria, e assim por diante? E como abandonaram a lei de seus pais aqueles que estão sempre falando dos costumes de seus pais com palavras como estas: Ou não diz a lei também estas coisas? Pois está escrito na lei de Moisés: Não amordaçarás a boca do boi que debulha o grão. Por acaso Deus se importa com os bois? Ou não diz ele isso totalmente por nossa causa? Pois foi por nossa causa que se escreveu, e assim por diante? Ora, como é confuso o raciocínio do judeu sobre essas questões (embora ele tivesse condições de falar com mais eficácia) quando diz: Alguns entre vocês abandonaram os costumes de nossos pais, sob o pretexto de explicações e alegorias; e alguns de vocês, embora, como alegam, interpretem esses costumes de modo espiritual, ainda assim os observam; e alguns de vocês, sem nenhuma dessas interpretações, estão dispostos a aceitar Jesus como objeto de profecia e a guardar a lei de Moisés segundo os costumes dos pais, tendo nas palavras toda a mente do Espírito. Ora, como Celso pôde ver essas coisas com tanta clareza aqui, quando nas partes seguintes de sua obra menciona certas heresias ímpias, totalmente alheias à doutrina de Jesus, e até outras que deixam o Criador completamente de fora, e não parece saber que israelitas convertidos ao cristianismo que não abandonaram a lei de seus pais? Não era seu objetivo investigar tudo aqui no espírito da verdade, e aceitar o que achasse útil; mas ele compôs essas afirmações no espírito de um inimigo, e com o desejo de derrubar tudo assim que ouvisse.
O judeu, então, continua se dirigindo aos convertidos de sua própria nação assim: Ontem e anteontem, quando castigamos o homem que enganou vocês, vocês se tornaram apóstatas da lei de seus pais. Com essas afirmações ele mostra (como acabamos de demonstrar) qualquer coisa, menos um conhecimento exato da verdade. Mas o que ele alega em seguida parece ter alguma força, quando diz: Como é que vocês tomam o início de seu sistema do nosso culto, e depois de progredir um pouco o tratam com desprezo, embora não tenham outra base para mostrar para suas doutrinas além da nossa lei? Ora, certamente a introdução ao cristianismo se através do culto mosaico e dos escritos proféticos; e depois da introdução, é na interpretação e explicação desses escritos que o progresso acontece, enquanto os que são introduzidos prosseguem suas investigações no mistério segundo a revelação, que ficou oculto desde o princípio do mundo, mas agora se manifesta nas Escrituras dos profetas e pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas os que avançam no conhecimento do cristianismo não tratam, como você alega, com desprezo as coisas escritas na lei. Pelo contrário, lhes prestam maior honra, mostrando que profundidade de razões sábias e misteriosas está contida nesses escritos, que não são plenamente compreendidos pelos judeus, que os tratam de modo superficial, e como se em certo grau fossem até fabulosos. E que absurdo haveria em nosso sistema, isto é, o Evangelho, ter a lei por fundamento, quando o próprio Senhor Jesus disse aos que não queriam crer nele: Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu sobre mim. Mas se não creem nos escritos dele, como crerão nas minhas palavras? Mais ainda, até um dos evangelistas, Marcos, diz: Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, como está escrito no profeta Isaías: Eis que envio o meu mensageiro diante da tua face, que preparará o teu caminho diante de ti. Isso mostra que o início do Evangelho está ligado aos escritos judaicos. Que força há, então, na objeção do judeu de Celso, de que, se alguém nos predisse que o Filho de Deus visitaria a humanidade, esse alguém era um dos nossos profetas, e o profeta do nosso Deus? Ou como é uma acusação contra o cristianismo que João, que batizou Jesus, fosse judeu? Pois, embora ele fosse judeu, não se segue que todo crente, seja convertido do paganismo ou do judaísmo, deva prestar uma obediência literal à lei de Moisés.
Depois disso, embora Celso se torne repetitivo em suas afirmações sobre Jesus, repetindo pela segunda vez que ele foi punido pelos judeus por seus crimes, não retomaremos a defesa, satisfeitos com o que dissemos. Mas, em seguida, como este judeu dele despreza a doutrina sobre a ressurreição dos mortos, o juízo divino, as recompensas a serem dadas aos justos e o fogo que devorará os ímpios, como sendo opiniões batidas, e pensa que vai derrubar o cristianismo afirmando que não nada de novo em seu ensino sobre esses pontos, temos a dizer a ele que nosso Senhor, vendo que a conduta dos judeus não estava de modo nenhum de acordo com o ensino dos profetas, ensinou por uma parábola que o reino de Deus seria tirado deles e dado aos convertidos do paganismo. Por essa razão, agora também podemos ver de fato que todas as doutrinas dos judeus de hoje são meras bobagens e fábulas, pois não têm a luz que vem do conhecimento das Escrituras; ao passo que as dos cristãos são a verdade, com poder para erguer e elevar a alma e o entendimento do ser humano, e para persuadi-lo a buscar uma cidadania, não como a dos judeus terrenos aqui embaixo, mas no céu. E esse resultado se mostra entre os que são capazes de ver a grandeza das ideias contidas na lei e nos profetas, e que são capazes de recomendá-las a outros.
Mas admitamos que Jesus tenha observado todos os costumes judaicos, incluindo até as práticas de sacrifício. O que isso teria para nos impedir de reconhecê-lo como o Filho de Deus? Jesus, então, é o Filho de Deus, que deu a lei e os profetas; e nós, que pertencemos à Igreja, não transgredimos a lei, mas escapamos das mitologias dos judeus, e temos nossas mentes disciplinadas e educadas pela contemplação mística da lei e dos profetas. Pois os próprios profetas, não pondo o sentido dessas palavras na simples história que relatam, nem nas prescrições legais tomadas segundo a palavra e a letra, se expressam em algum lugar, quando vão relatar histórias, com palavras como estas: Abrirei a minha boca em parábolas, proferirei enigmas antigos. E em outro lugar, quando elevam uma oração a respeito da lei, por ela ser obscura e precisar de ajuda divina para ser compreendida, oferecem esta oração: Abre os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.
Além disso, que mostrem onde se pode encontrar sequer a aparência de uma linguagem ditada pela arrogância que tenha saído de Jesus. Pois como poderia um homem arrogante se expressar assim: Aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e encontrarão descanso para suas almas? Ou como pode ser chamado de arrogante aquele que, depois da ceia, deixou de lado suas vestes diante de seus discípulos e, depois de se cingir com uma toalha e derramar água numa bacia, passou a lavar os pés de cada discípulo, e repreendeu aquele que não queria deixá-los ser lavados, com as palavras: Se eu não te lavar, não tens parte comigo? Ou como poderia ser chamado assim aquele que disse: Estive entre vocês, não como quem se senta à mesa, mas como quem serve? E que alguém mostre quais foram as mentiras que ele proferiu, e que aponte quais são grandes e quais são pequenas mentiras, para provar que Jesus foi culpado das primeiras. E ainda outra maneira de refutá-lo. Pois assim como uma mentira não é menos nem mais falsa que outra, também uma verdade não é menos nem mais verdadeira que outra. E que acusações de impiedade ele tem a fazer contra Jesus, que o judeu de Celso especialmente as apresente. Era impiedade abster-se da circuncisão corporal, do sábado literal, das festas literais, das luas novas literais, das comidas puras e impuras, e voltar a mente para a lei boa, verdadeira e espiritual de Deus, enquanto ao mesmo tempo aquele que era embaixador de Cristo sabia se fazer como judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus, e como quem está sob a lei para os que estão sob a lei, a fim de ganhar os que estão sob a lei?
Ele diz, ainda, que muitas outras pessoas pareceriam ser tal como Jesus foi, aos que estivessem dispostos a se deixar enganar. Que este judeu de Celso, então, nos mostre, não muitas pessoas, nem mesmo umas poucas, mas um único indivíduo, tal como Jesus foi, que introduzisse entre o gênero humano, com o poder que se manifestou nele, um sistema de doutrina e opiniões benéfico à vida humana, e que afasta os homens da prática do mal. Ele diz, além disso, que esta acusação é feita aos judeus pelos convertidos cristãos: que eles não creram em Jesus como Deus. Ora, sobre esse ponto oferecemos, nas páginas anteriores, uma defesa preliminar, mostrando ao mesmo tempo em que sentido o entendemos como Deus e em que sentido o tomamos como homem. Como deveríamos nós, ele continua, que anunciamos a todos os homens que de vir de Deus alguém que castigará os ímpios, tratá-lo com desprezo quando ele veio? E a isso, como argumento extremamente tolo, não me parece razoável oferecer qualquer resposta. É como se alguém dissesse: Como poderíamos nós, que ensinamos a temperança, cometer qualquer ato de devassidão? Ou nós, que somos embaixadores da justiça, ser culpados de qualquer maldade? Pois assim como essas incoerências se encontram entre os homens, da mesma forma, dizer que eles creram nos profetas quando falavam da vinda futura de Cristo, e ainda assim recusaram crer nele quando ele veio, de acordo com a afirmação profética, estava perfeitamente de acordo com a natureza humana. E que devemos acrescentar outra razão, observaremos que esse mesmo resultado foi predito pelos profetas. Isaías declara claramente: Ouvindo, ouvireis, e não entendereis; e vendo, vereis, e não percebereis; pois o coração deste povo ficou insensível, e assim por diante. E que eles expliquem por que foi predito aos judeus que, embora ouvissem e vissem, não entenderiam o que era dito, nem perceberiam o que era visto como deveriam. Pois é de fato evidente que, quando contemplaram Jesus, não viram quem ele era; e quando o ouviram, não compreenderam, pelas palavras dele, a divindade que nele havia, e que transferiu o cuidado providencial de Deus, até então exercido sobre os judeus, para os convertidos dele dentre os pagãos. Por isso podemos ver que, depois da vinda de Jesus, os judeus foram totalmente abandonados, e não possuem agora nada do que se considerava suas antigas glórias, de modo que não indício de qualquer divindade habitando entre eles. Pois não têm mais profetas nem milagres, dos quais ainda se encontram vestígios em grau considerável entre os cristãos, e alguns deles mais notáveis que qualquer um que existisse entre os judeus; e esses nós mesmos testemunhamos, se o nosso testemunho puder ser aceito. Mas o judeu de Celso exclama: Por que tratamos com desonra aquele que anunciamos de antemão? Foi para que fôssemos castigados mais que os outros? A isso temos a responder que, por causa de sua incredulidade e dos outros insultos que amontoaram sobre Jesus, os judeus não sofrerão mais que os outros naquele juízo que se crê estar para cair sobre o mundo, mas suportaram tais sofrimentos. Pois que nação está exilada de sua própria metrópole, e do lugar consagrado ao culto de seus pais, a não ser os judeus apenas? E essas calamidades eles sofreram porque eram uma nação extremamente perversa, que, embora culpada de muitos outros pecados, por nenhum foi punida com tanta severidade como pelos que cometeu contra o nosso Jesus.