Contra Celso - Livro I 4

A acusação de Celso e a defesa do cristianismo

E como, à imitação de um retórico que treina um aluno, ele introduz um judeu que entra numa discussão pessoal com Jesus e fala de maneira muito pueril, totalmente indigna dos cabelos grisalhos de um filósofo, deixe-me tentar, na medida das minhas forças, examinar as suas afirmações e mostrar que ele não mantém, ao longo da discussão, a coerência devida ao caráter de um judeu. Pois ele o representa disputando com Jesus e refutando-O, como pensa, em muitos pontos. E, em primeiro lugar, acusa-O de ter inventado o seu nascimento de uma virgem, e censura-O por ter nascido em certa aldeia judaica, de uma mulher pobre da região, que ganhava o seu sustento fiando, e que foi posta para fora de casa pelo marido, um carpinteiro de ofício, porque foi flagrada em adultério. Diz que, depois de expulsa pelo marido e de vagar por algum tempo, ela vergonhosamente deu à luz Jesus, um filho ilegítimo, o qual, tendo-se empregado como servo no Egito por causa de sua pobreza, e tendo ali adquirido alguns poderes prodigiosos, dos quais os egípcios muito se orgulham, voltou para a sua terra, muito envaidecido com eles, e, por meio deles, proclamou-se um deus. Ora, como não posso deixar sem exame nada do que dizem os incrédulos, mas tenho de investigar tudo desde o princípio, dou a minha opinião de que todas essas coisas se harmonizam dignamente com as predições de que Jesus é o Filho de Deus.