Contra Celso - Livro I 3

A acusação de Celso e a defesa do cristianismo

Em seguida, quando Celso diz, em palavras expressas: Se eles me respondessem, não como se eu estivesse pedindo informação, pois conheço todas as opiniões deles, mas porque tenho igual interesse em todas, seria bom. E se não o fizerem, mas ficarem repetindo, como costumam: Não investigue! etc., eles devem, ele continua, ao menos me explicar de que natureza são essas coisas de que falam, e de onde vêm, etc. Ora, quanto à afirmação dele de que conhece todas as nossas doutrinas, temos a dizer que essa é uma afirmação jactanciosa e atrevida. Pois, se ele tivesse lido em especial os profetas, que estão cheios de dificuldades reconhecidas e de declarações obscuras para a multidão, e se tivesse percorrido as parábolas dos Evangelhos, e os outros escritos da lei e da história judaica, e as palavras dos apóstolos, e os tivesse lido com isenção, com o desejo de penetrar no sentido deles, não teria se expressado com tamanha ousadia, nem dito que conhecia todas as nossas doutrinas. Mesmo nós, que dedicamos muito estudo a esses escritos, não diríamos que conhecemos tudo, pois temos apreço pela verdade. Nenhum de nós vai afirmar: Conheço todas as doutrinas de Epicuro, nem ter a confiança de que conhece todas as de Platão, sabendo que existem tantas divergências de opinião entre os intérpretes desses sistemas. Pois quem é tão atrevido a ponto de dizer que conhece todas as opiniões dos estoicos ou dos peripatéticos? A não ser, é claro, que ele tenha ouvido essa bravata, Conheço todas elas, de alguns indivíduos ignorantes e sem juízo, que não percebem a própria ignorância, e assim imaginasse, por ter tido tais pessoas como mestres, que conhecia todas elas. Esse tal me parece agir muito como faria alguém que tivesse visitado o Egito (onde os sábios egípcios, doutos na literatura do próprio país, são muito dados a filosofar sobre as coisas que entre eles são tidas como divinas, mas onde a gente comum, ao ouvir certos mitos cujas razões não entende, fica muito exaltada por causa do conhecimento que imagina ter), e que imaginasse conhecer todo o círculo do saber egípcio depois de ter sido discípulo dos ignorantes, sem ter convivido com nenhum dos sacerdotes nem aprendido os mistérios dos egípcios de qualquer outra fonte. E o que disse a respeito dos doutos e dos ignorantes entre os egípcios, eu poderia ter dito também dos persas, entre os quais mistérios conduzidos segundo princípios racionais pelos doutos deles, mas entendidos em sentido simbólico pelos mais superficiais da multidão. E a mesma observação se aplica aos sírios, aos indianos, e a todos os que têm uma literatura e uma mitologia.
Mas, que Celso declarou ser uma frase de muitos cristãos que a sabedoria desta vida é coisa má, mas que a tolice é boa, temos a responder que ele calunia o Evangelho, não citando as palavras como de fato ocorrem nos escritos de Paulo, onde elas dizem o seguinte: Se alguém entre vós se julga sábio neste mundo, faça-se louco para que venha a ser sábio. Pois a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. O apóstolo, portanto, não diz simplesmente que a sabedoria é loucura diante de Deus, mas a sabedoria deste mundo. E, de novo, não diz: Se alguém entre vós se julga sábio, faça-se louco de modo absoluto, mas: faça-se louco neste mundo, para que venha a ser sábio. Chamamos, então, de sabedoria deste mundo todo sistema falso de filosofia que, segundo as Escrituras, é reduzido a nada. E chamamos a tolice de boa, não sem restrição, mas quando um homem se torna tolo quanto a este mundo. É como se disséssemos que o platônico, que crê na imortalidade da alma e na doutrina de sua transmigração, incorre na acusação de tolice diante dos estoicos, que rejeitam essa opinião; e diante dos peripatéticos, que tagarelam sobre as sutilezas de Platão; e diante dos epicuristas, que chamam de superstição introduzir uma providência e colocar um Deus sobre todas as coisas. Além disso, que está de acordo com o espírito do cristianismo, e é muito mais importante, dar nosso assentimento às doutrinas com base na razão e na sabedoria do que apenas na fé, e que em certas circunstâncias é que o cristianismo desejou esse último caminho, para não deixar os homens totalmente sem ajuda, isso é mostrado por aquele genuíno discípulo de Jesus, Paulo, quando diz: Pois, visto que, na sabedoria de Deus, o mundo pela sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Ora, por essas palavras fica claramente mostrado que é pela sabedoria de Deus que Deus deveria ser conhecido. Mas, como esse resultado não se seguiu, aprouve a Deus, numa segunda vez, salvar os que creem, não por uma tolice absoluta, mas por aquela tolice que dependia da pregação. Pois a pregação de Jesus Cristo como crucificado é a loucura da pregação, como Paulo também percebeu, quando disse: Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gregos; mas para os que são chamados, tanto judeus quanto gregos, Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.
Celso, sendo de opinião que se encontra entre muitas nações um parentesco geral de doutrina, enumera todas as nações que deram origem a tais e tais opiniões. Mas, por algum motivo que desconheço, ele desfere um desprezo sobre os judeus, não os incluindo entre os demais, como se eles tivessem ou trabalhado junto com os outros e chegado às mesmas conclusões, ou sustentado opiniões semelhantes sobre muitos assuntos. É justo, portanto, perguntar a ele por que crédito às histórias dos bárbaros e dos gregos a respeito da antiguidade das nações de que fala, mas marca como falsas as histórias desta nação. Pois, se os respectivos autores narraram os eventos que se encontram nessas obras em espírito de verdade, por que haveríamos de desconfiar dos profetas dos judeus? E se Moisés e os profetas registraram muitas coisas em sua história por desejo de favorecer o próprio sistema, por que não diríamos o mesmo dos historiadores de outros países? Ou, quando os egípcios ou suas histórias falam mal dos judeus, devem ser acreditados nesse ponto, mas os judeus, quando dizem as mesmas coisas dos egípcios, e declaram que sofreram grande injustiça nas mãos deles, e que por isso foram punidos por Deus, devem ser acusados de falsidade? E isso se aplica não aos egípcios, mas a outros. Pois constataremos que havia uma ligação entre os assírios e os judeus, e que isso está registrado nas antigas histórias dos assírios. E assim também os historiadores judeus (evito usar a palavra profetas, para não parecer que julgo a causa de antemão) relataram que os assírios eram inimigos dos judeus. Observe de pronto, então, o procedimento arbitrário deste indivíduo, que crê nas histórias dessas nações com base no fato de serem doutas, e condena outras como totalmente ignorantes. Pois ouça a afirmação de Celso: Há, diz ele, um relato com autoridade desde o início mesmo, a respeito do qual existe um acordo constante entre todas as nações, cidades e homens mais doutos. E, no entanto, ele não vai chamar os judeus de nação douta da mesma forma que faz com os egípcios, os assírios, os indianos, os persas, os ódrisos, os samotrácios e os eleusínios.
Quão mais imparcial do que Celso é Numênio, o pitagórico, que deu muitas provas de ser um homem muito eloquente, e que examinou com cuidado muitas opiniões, e reuniu de muitas fontes o que tinha aparência de verdade. Pois, no primeiro livro de seu tratado Sobre o Bem, ao falar daquelas nações que adotaram a opinião de que Deus é incorpóreo, ele enumera também os judeus entre os que têm essa visão, não mostrando relutância alguma em usar até a linguagem dos profetas deles em seu tratado, e em lhe dar um sentido metafórico. Diz-se, além disso, que Hermipo registrou em seu primeiro livro, Sobre os Legisladores, que foi do povo judeu que Pitágoras tirou a filosofia que introduziu entre os gregos. E existe uma obra do historiador Hecateu, que trata dos judeus, na qual se atribui a essa nação um caráter tão elevado por seu saber, que Herênio Filo, em seu tratado sobre os judeus, duvida, em primeiro lugar, se ela é mesmo composição do historiador; e diz, em segundo lugar, que, se for mesmo dele, é provável que ele tenha se deixado levar pela natureza plausível da história judaica, e assim cedido seu assentimento ao sistema deles.
Tenho de manifestar minha surpresa de que Celso classifique os ódrisos, os samotrácios, os eleusínios e os hiperbóreos entre as nações mais antigas e doutas, e não considere os judeus dignos de um lugar entre tais, seja por seu saber, seja por sua antiguidade, embora haja muitos tratados em circulação entre os egípcios, os fenícios e os gregos que atestam a existência deles como povo antigo, mas que considerei desnecessário citar. Pois quem quiser pode ler o que Flávio Josefo registrou em seus dois livros, Sobre a Antiguidade dos Judeus, onde ele reúne uma grande coleção de autores que dão testemunho da antiguidade do povo judeu. E existe o Discurso aos Gregos de Taciano, o moço, no qual, com muitíssima erudição, ele enumera aqueles historiadores que trataram da antiguidade da nação judaica e de Moisés. Parece, então, que não é por amor à verdade, mas por um espírito de ódio, que Celso faz essas afirmações, sendo seu objetivo manchar a origem do cristianismo, que está ligada ao judaísmo. Mais ainda, ele chama os galactófagos de Homero, os druidas dos gauleses e os getas de tribos doutíssimas e antiquíssimas, por causa da semelhança entre as tradições deles e as dos judeus, embora eu não saiba se alguma das histórias deles sobrevive. Mas os hebreus, no que depende dele, ele priva da honra tanto da antiguidade quanto do saber. E, de novo, ao fazer uma lista de homens antigos e doutos que beneficiaram seus contemporâneos por suas obras, e a posteridade por seus escritos, ele excluiu Moisés do número. de Lino, a quem Celso atribui um lugar de destaque em sua lista, não existem leis nem discursos que tenham produzido uma mudança para melhor entre qualquer tribo; ao passo que uma nação inteira, dispersa pelo mundo todo, obedece às leis de Moisés. Considere, então, se não é por aberta malevolência que ele expulsou Moisés de seu catálogo de homens doutos, enquanto afirma que Lino, Museu, Orfeu, Ferécides, o persa Zoroastro e Pitágoras discutiram esses temas, e que as opiniões deles foram depositadas em livros, e assim se preservaram até o presente. E é de propósito também que ele deixou de notar o mito, ornamentado principalmente por Orfeu, no qual os deuses são descritos como afetados por fraquezas e paixões humanas.
No que segue, Celso, atacando a história mosaica, censura os que lhe dão um sentido figurado e alegórico. E aqui se poderia dizer a esse grande homem, que inscreveu na própria obra o título de Discurso Verdadeiro: Por que, bom senhor, você faz questão de que se registre que os deuses se envolvessem em aventuras como as descritas por seus doutos poetas e filósofos, e fossem culpados de intrigas abomináveis, e de travar guerras contra os próprios pais, e de cortar suas partes íntimas, e ousassem cometer e sofrer tais atrocidades, ao passo que Moisés, que não relatos desse tipo a respeito de Deus, nem mesmo a respeito dos santos anjos, e que narra feitos de bem menor atrocidade a respeito dos homens (pois em seus escritos ninguém jamais se atreveu a cometer crimes como os que Crono cometeu contra Urano, ou Zeus contra o próprio pai, ou aquele do pai dos homens e dos deuses, que teve relações com a própria filha), Moisés deveria ser tido como tendo enganado os que estavam sob suas leis e os tendo conduzido ao erro? E aqui Celso me parece agir um tanto como fez Trasímaco, o filósofo platônico, quando não deixava Sócrates responder a respeito da justiça como queria, mas dizia: Cuide para não dizer que a utilidade é justiça, ou dever, ou qualquer coisa do tipo. Pois, de modo semelhante, Celso ataca (como pensa) as histórias mosaicas, e censura os que as entendem alegoricamente, ao mesmo tempo concedendo também algum elogio aos que o fazem, no sentido de que são mais imparciais do que os que não o fazem; e assim, por assim dizer, ele impede com suas objeções que os que são capazes de mostrar o verdadeiro estado da questão ofereçam a defesa que gostariam de oferecer.
E, propondo uma comparação de livro com livro, eu diria: Venha agora, bom senhor, pegue os poemas de Lino, de Museu e de Orfeu, e os escritos de Ferécides, e compare-os com cuidado com as leis de Moisés (histórias com histórias, e discursos éticos com leis e mandamentos), e veja qual dos dois é mais apto a mudar o caráter do ouvinte ali mesmo, na hora, e qual a endurecê-lo em sua maldade. E observe que sua série de autores demonstra pouca preocupação com aqueles leitores que vão lê-los de imediato, sem ajuda, mas compuseram sua filosofia (como você a chama) para os que são capazes de compreender seu sentido metafórico e alegórico. Moisés, como um orador notável que medita alguma figura de Retórica, e que cuidadosamente introduz em cada parte uma linguagem de duplo sentido, fez isso em seus cinco livros: nem oferecendo, na parte que diz respeito à moral, qualquer brecha a seus súditos judeus para a prática do mal, nem tampouco dando aos poucos indivíduos dotados de maior sabedoria, e capazes de investigar seu sentido, um tratado privado de material para especulação. Mas, dos seus doutos poetas, os próprios escritos parecem nem se preservar, embora tivessem sido cuidadosamente guardados se os leitores tivessem percebido algum benefício que pudesse vir deles. as obras de Moisés moveram muitos, que eram até estranhos aos costumes dos judeus, à crença de que, como esses escritos testemunham, o primeiro que promulgou essas leis e as entregou a Moisés foi o Deus que foi o Criador do mundo. Pois convinha ao Criador do universo, depois de estabelecer leis para o seu governo, conferir às suas palavras um poder capaz de subjugar todos os homens em toda parte da terra. E isto eu sustento, sem ter ainda entrado em nenhuma investigação a respeito de Jesus, mas ainda demonstrando que Moisés, que é muito inferior ao Senhor, é, como o Discurso mostrará, muito superior aos seus sábios poetas e filósofos.
Depois dessas afirmações, Celso, por um desejo secreto de desacreditar o relato mosaico da criação, que ensina que o mundo ainda não tem dez mil anos, e sim muito menos do que isso, escondendo seu desejo, a entender que concorda com os que sustentam que o mundo é incriado. Pois, ao defender que houve, desde toda a eternidade, muitas conflagrações e muitos dilúvios, e que a enchente que ocorreu pouco no tempo de Deucalião é relativamente recente, ele demonstra claramente, aos que são capazes de entendê-lo, que, na opinião dele, o mundo era incriado. Mas que este atacante da cristã nos diga por quais argumentos foi obrigado a aceitar a afirmação de que houve muitas conflagrações e muitos cataclismos, e que a enchente que ocorreu no tempo de Deucalião, e a conflagração no de Faetonte, foram mais recentes do que quaisquer outras. E se ele apresentar os diálogos de Platão como evidência sobre esses assuntos, diremos a ele que também a nós é permitido crer que residia na alma pura e piedosa de Moisés, que se elevou acima de todas as coisas criadas, e se uniu ao Criador do universo, e que deu a conhecer as coisas divinas com muito mais clareza do que Platão, ou do que aqueles outros sábios que viveram entre os gregos e os romanos, um espírito que era divino. E se ele nos exige nossas razões para tal crença, que ele primeiro fundamentos para suas próprias afirmações sem apoio, e então mostraremos que esta nossa visão é a correta.
E, no entanto, contra a própria vontade, Celso se levado a testemunhar que o mundo é relativamente recente, e ainda não tem dez mil anos, quando diz que os gregos consideram aquelas coisas como antigas porque, devido aos dilúvios e às conflagrações, não viram nem receberam nenhum registro de eventos mais antigos. Mas que Celso tenha, como autoridades para o mito a respeito das conflagrações e das inundações, aquelas pessoas que, na opinião dele, são os mais doutos dos egípcios, vestígios de cuja sabedoria se encontram no culto de animais irracionais e em argumentos que pretendem provar que tal culto a Deus está de acordo com a razão, e é de caráter secreto e misterioso. Os egípcios, então, quando dão com jactância sua própria explicação da divindade dos animais, devem ser tidos como sábios; mas, se algum judeu, que manifestou sua adesão à lei e ao legislador, remete tudo ao Criador do universo, o único Deus, ele é, na opinião de Celso e dos que são como ele, considerado inferior àquele que rebaixa a Divindade não ao nível de animais racionais e mortais, mas até ao de irracionais! Uma visão que vai muito além da doutrina mítica da transmigração, segundo a qual a alma cai do cume do céu e entra no corpo de animais brutos, tanto domésticos quanto selvagens! E se os egípcios contaram fábulas desse tipo, crê-se que eles transmitem um sentido filosófico por seus enigmas e mistérios; mas, se Moisés compõe e deixa atrás de si histórias e leis para uma nação inteira, devem elas ser tidas como fábulas vazias, cuja linguagem não admite nenhum sentido alegórico!
A seguir vem a tese de Celso e dos epicureus. Moisés, segundo ele, teria aprendido a doutrina que se encontra entre os povos sábios e os homens eloquentes, e por isso conquistou a fama de ser divino. Em resposta a isso, temos a dizer que se pode até conceder a ele que Moisés de fato tenha ouvido alguma doutrina bem antiga e a tenha transmitido aos hebreus. Se a doutrina que ele ouviu era falsa, sem piedade e sem grandeza, e mesmo assim ele a recebeu e a passou aos que estavam sob sua autoridade, então é censurável. Mas se, como você mesmo afirma, ele aderiu a opiniões sábias e verdadeiras e educou o seu povo por meio delas, o que, afinal, ele fez de condenável? Quem dera não Epicuro, mas também Aristóteles, cujas ideias sobre a providência não são tão ímpias quanto as do primeiro, e os estoicos, que afirmam que Deus é um corpo, tivessem ouvido tal doutrina! Então o mundo não teria sido tomado por opiniões que ou negam ou enfraquecem a ação da providência, ou introduzem um princípio corpóreo corrompido, segundo o qual o deus dos estoicos é um corpo, do qual eles não têm receio de dizer que é capaz de mudança, que pode ser alterado e transformado em todas as suas partes e, em geral, que é capaz de corrupção, se houver alguém para corrompê-lo, mas que tem a sorte de escapar da corrupção porque não quem o corrompa. A doutrina dos judeus e dos cristãos, no entanto, que preserva a imutabilidade e a inalterabilidade da natureza divina, é tachada de ímpia, justamente porque não compartilha da profanação daqueles cujas noções de Deus são marcadas pela impiedade. Ela diz, na súplica dirigida à Divindade, Tu és o mesmo, sendo ainda artigo de que Deus declarou, Eu não mudo.