Contra Celso - Livro I 4
A acusação de Celso e a defesa do cristianismo
Depois disso, Celso, sem condenar a circuncisão tal como os judeus a praticam, afirma que esse costume veio dos egípcios, acreditando assim mais nos egípcios do que em Moisés, que diz ter sido Abraão o primeiro entre os homens a praticar o rito. E não é só Moisés que menciona o nome de Abraão, atribuindo a ele grande intimidade com Deus. Muitos também dos que se dedicam à prática de conjurar espíritos malignos empregam em seus encantamentos a expressão Deus de Abraão, indicando pelo próprio nome a amizade que existia entre aquele homem justo e Deus. E no entanto, ao usar a expressão Deus de Abraão, eles não sabem quem é Abraão! O mesmo vale para Isaque, Jacó e Israel, nomes que, embora reconhecidamente hebraicos, são frequentemente usados por esses egípcios que alegam produzir algum resultado prodigioso por meio de seu conhecimento. O rito da circuncisão, contudo, que começou com Abraão e foi descontinuado por Jesus, que não quis que os seus discípulos o praticassem, não é o que está em pauta para explicarmos agora. A presente ocasião não nos leva a falar dessas coisas, mas a nos esforçar para refutar as acusações que Celso faz contra a doutrina dos judeus. Ele pensa que conseguirá com mais facilidade estabelecer a falsidade do cristianismo se, atacando a sua origem no judaísmo, puder mostrar que este último também é falso.
Depois disso, Celso passa a afirmar que aqueles boiadeiros e pastores que seguiram Moisés como líder tiveram a mente iludida por enganos grosseiros, e assim supuseram que havia um só Deus. Que ele mostre, então, como, depois dessa partida irracional, conforme ele a vê, dos boiadeiros e pastores em relação ao culto de muitos deuses, ele próprio é capaz de estabelecer a multiplicidade de divindades que se encontram entre os gregos ou entre as outras nações chamadas bárbaras. Que ele estabeleça, portanto, a existência de Mnemósine, mãe das Musas geradas por Zeus, ou de Têmis, mãe das Horas, ou que prove que as Graças, sempre nuas, podem ter existência real e substancial. Mas ele não conseguirá mostrar, a partir de quaisquer ações delas, que essas representações fictícias dos gregos, que aparentam ser dotadas de corpos, sejam de fato deuses. E por que as fábulas dos gregos sobre os deuses haveriam de ser mais verdadeiras do que as dos egípcios, por exemplo, que na sua língua nada conhecem de uma Mnemósine, mãe das nove Musas, nem de uma Têmis, mãe das Horas, nem de uma Eufrósine, uma das Graças, nem de nenhum desses nomes? Quanto mais evidente, e quanto melhor do que todas essas invenções, é que, convencidos pelo que vemos na ordem admirável do mundo, devamos adorar o seu Artífice como o único Autor de um único efeito, o qual, estando inteiramente em harmonia consigo mesmo, não pode por isso ter sido obra de muitos autores. E que devamos crer que todo o céu não é mantido coeso pelos movimentos de muitas almas, pois uma só basta, que sustenta toda a esfera fixa de leste a oeste e abraça em si todas as coisas que o mundo requer e que não existem por si mesmas. Pois todas são partes do mundo, ao passo que Deus não é parte do todo. E Deus não pode ser imperfeito, como uma parte é imperfeita. E talvez uma reflexão mais profunda mostre que, assim como Deus não é parte, também não é propriamente o todo, já que o todo se compõe de partes. E a razão não nos permite crer que o Deus que está acima de tudo se componha de partes, cada uma das quais não consegue fazer o que todas as outras partes fazem.
Depois disso ele prossegue. Esses boiadeiros e pastores concluíram que havia um só Deus, chamado ora o Altíssimo, ora Adonai, ora o Celestial, ora Sabaote, ou designado por algum outro desses nomes com que gostam de chamar este mundo, e não conheciam nada além disso. E numa parte posterior de sua obra ele diz que não faz diferença se o Deus que está acima de todas as coisas é chamado pelo nome de Zeus, corrente entre os gregos, ou por aquele, por exemplo, que se usa entre os indianos ou os egípcios. Em resposta a isso, temos a observar que isso envolve um tema profundo e misterioso, a saber, o da natureza dos nomes. É uma questão saber se, como pensa Aristóteles, os nomes foram dados por convenção, ou se, como sustentam os estoicos, por natureza, sendo as primeiras palavras imitações das coisas, de acordo com as quais os nomes foram formados, e em conformidade com as quais eles introduzem certos princípios de etimologia. Ou ainda se, como ensina Epicuro, diferindo nisso dos estoicos, os nomes foram dados por natureza, tendo os primeiros homens proferido certas palavras que variavam conforme as circunstâncias em que se encontravam. Se, então, conseguirmos estabelecer, em referência à afirmação anterior, a natureza dos nomes poderosos, alguns dos quais são usados pelos sábios entre os egípcios, ou pelos Magos entre os persas, e pelos filósofos indianos chamados brâmanes, ou pelos samaneus, e por outros em diferentes países, e se conseguirmos demonstrar que a chamada magia não é, como supõem os seguidores de Epicuro e de Aristóteles, algo inteiramente incerto, mas é, como provam os que nela são versados, um sistema coerente, que tem palavras conhecidas por pouquíssimos, então dizemos que o nome Sabaote, e Adonai, e os demais nomes tratados com tanta reverência entre os hebreus, não se aplicam a quaisquer coisas comuns e criadas, mas pertencem a uma teologia secreta que se refere ao Formador de todas as coisas. Esses nomes, portanto, quando pronunciados com aquele conjunto de circunstâncias que é apropriado à sua natureza, possuem grande poder. E outros nomes, por sua vez, correntes na língua egípcia, são eficazes contra certos demônios que só podem fazer certas coisas. E outros nomes na língua persa têm poder correspondente sobre outros espíritos, e assim por diante em cada nação, para diferentes propósitos. E assim se constatará que, dos vários demônios sobre a terra, aos quais foram atribuídas diferentes localidades, cada um traz um nome apropriado aos diversos dialetos do lugar e do país. Quem tiver, por menor que seja, uma ideia mais elevada dessas questões, terá o cuidado de não aplicar nomes diferentes a coisas diferentes, para não se assemelhar àqueles que erroneamente aplicam o nome de Deus à matéria sem vida, ou que rebaixam o título do Bem, retirando-o da Causa Primeira, ou da virtude e da excelência, e o aplicam ao cego Pluto, e a uma mistura saudável e bem proporcionada de carne, sangue e ossos, ou ao que se considera nobreza de nascimento.
E talvez haja um perigo tão grande quanto o de rebaixar o nome de Deus, ou do Bem, a objetos impróprios, em trocar o nome de Deus segundo um sistema secreto, aplicando os que pertencem a seres inferiores aos maiores, e vice-versa. E não me detenho no fato de que, quando o nome de Zeus é pronunciado, ouve-se ao mesmo tempo o do filho de Cronos e Reia, e marido de Hera, e irmão de Posidão, e pai de Atena e de Ártemis, ele que cometeu incesto com sua própria filha Perséfone. Ou que Apolo logo evoca o filho de Leto e de Zeus, e irmão de Ártemis, e meio-irmão de Hermes. E assim com todos os outros nomes inventados por esses homens sábios de Celso, que são os pais dessas opiniões e os antigos teólogos dos gregos. Pois quais são os fundamentos para decidir que ele, de um lado, deva ser propriamente chamado de Zeus, e que, de outro, não deva ter Cronos como pai e Reia como mãe? E o mesmo argumento se aplica a todos os outros que são chamados deuses. Mas essa objeção não se aplica de modo algum àqueles que, por alguma razão misteriosa, referem a palavra Sabaote, ou Adonai, ou qualquer dos outros nomes ao verdadeiro Deus. E quando se é capaz de filosofar sobre o mistério dos nomes, há muito a dizer a respeito dos títulos dos anjos de Deus, dos quais um se chama Miguel, outro Gabriel, e outro Rafael, de modo apropriado aos deveres que cumprem no mundo, segundo a vontade do Deus de todas as coisas. E uma filosofia semelhante dos nomes se aplica também ao nosso Jesus, cujo nome, de modo inconfundível, já se viu expulsar miríades de espíritos malignos das almas e dos corpos dos homens, tão grande era o poder que exercia sobre aqueles de quem os espíritos eram expulsos. E ainda sobre o tema dos nomes, temos de mencionar que os que são versados no uso de encantamentos relatam que a pronúncia de um mesmo encantamento na sua língua própria pode realizar o que o feitiço se propõe a fazer. Mas, quando traduzido para qualquer outra língua, observa-se que ele se torna ineficaz e fraco. E assim, não são as coisas significadas, mas as qualidades e peculiaridades das palavras, que possuem certo poder para este ou aquele fim. E é com base em razões como essas que defendemos a conduta dos cristãos, quando eles lutam até a morte para evitar chamar Deus pelo nome de Zeus, ou para lhe dar um nome de qualquer outra língua. Pois eles ou usam o nome comum, Deus, de modo indefinido, ou com algum acréscimo como o de Criador de todas as coisas, o Criador do céu e da terra, aquele que enviou à raça humana aqueles homens bons, a cujos nomes, sendo-lhes acrescentado o de Deus, certas obras poderosas se realizam entre os homens. E muito mais ainda se poderia dizer sobre o tema dos nomes, contra os que pensam que devemos ser indiferentes ao modo como os usamos. E se a observação de Platão no Filebo nos surpreender, quando ele diz, Não é pequeno o meu temor, ó Protágoras, a respeito dos nomes dos deuses, ao ver que Filebo, em sua discussão com Sócrates, havia chamado o prazer de deus, como não havemos de aprovar ainda mais a piedade dos cristãos, que não aplicam nenhum dos nomes usados nas mitologias ao Criador do mundo? E, por ora, basta sobre este assunto.
Mas vejamos de que maneira este Celso, que se diz conhecedor de tudo, levanta uma falsa acusação contra os judeus, ao alegar que eles adoram anjos e são dados à feitiçaria, na qual Moisés foi seu instrutor. Ora, em que parte dos escritos de Moisés ele encontrou o legislador estabelecendo a adoração de anjos, que ele o diga, ele que afirma saber tudo sobre o cristianismo e o judaísmo. E que mostre também como a feitiçaria pode existir entre os que aceitaram a lei mosaica e leem a ordem, Não consultes os feiticeiros, para não te contaminares com eles. Além disso, ele promete mostrar mais adiante como foi por ignorância que os judeus foram enganados e levados ao erro. Ora, se ele tivesse descoberto que a ignorância dos judeus a respeito de Cristo foi efeito de não terem ouvido as profecias sobre Ele, mostraria com verdade como os judeus caíram em erro. Mas, sem qualquer desejo de que isso transpareça, ele vê como erros dos judeus aquilo que não são erro algum. E Celso, tendo prometido nos informar, numa parte posterior de sua obra, sobre as doutrinas do judaísmo, passa antes a falar do nosso Salvador como tendo sido o líder da nossa geração, na medida em que somos cristãos, e diz que poucos anos atrás ele começou a ensinar esta doutrina, sendo considerado pelos cristãos como o Filho de Deus. Ora, quanto a este ponto, a sua existência anterior poucos anos atrás, temos a observar o seguinte. Poderia ter acontecido sem auxílio divino que Jesus, desejando durante esses anos difundir as suas palavras e o seu ensino, tivesse sido tão bem-sucedido que, por toda parte no mundo, não poucas pessoas, gregos e bárbaros, instruídos e ignorantes, adotassem a sua doutrina, a ponto de lutarem até a morte em sua defesa, em vez de negá-la, coisa que jamais se relatou que alguém tenha feito por qualquer outro sistema? Eu, por minha vez, não por desejo de adular o cristianismo, mas por querer examinar a fundo os fatos, diria que até mesmo os que se dedicam a curar grande número de doentes não alcançam o seu objetivo, a cura do corpo, sem ajuda divina. E se alguém conseguisse libertar almas de uma inundação de maldade, de excessos, de atos de injustiça e de desprezo por Deus, e pudesse mostrar, como prova de tal resultado, cem pessoas melhoradas em sua índole, suponhamos um número tão grande, ninguém razoavelmente diria que foi sem auxílio divino que ele implantou nesses cem indivíduos uma doutrina capaz de remover tantos males. E se alguém, ao considerar essas coisas com isenção, admitir que nenhuma melhora jamais se dá entre os homens sem ajuda divina, com quanto mais confiança fará a mesma afirmação a respeito de Jesus, quando comparar a vida anterior de muitos convertidos à sua doutrina com a conduta posterior deles, e refletir em que atos de licenciosidade, injustiça e ganância eles antes se entregavam, até que, como alegam Celso e os que pensam como ele, foram enganados e aceitaram uma doutrina que, segundo esses indivíduos afirmam, é destruidora da vida dos homens. Mas eles, desde o momento em que a adotaram, tornaram-se de algum modo mais mansos, mais religiosos e mais íntegros, a ponto de alguns deles, por desejo de uma castidade excepcional e por querer adorar a Deus com maior pureza, absterem-se até dos prazeres permitidos do amor lícito.
Quem examinar o assunto verá que Jesus tentou, e realizou com êxito, obras que estão além do alcance do poder humano. Pois, embora desde o início tudo se opusesse à difusão da sua doutrina no mundo, tanto os príncipes da época, e seus principais capitães e generais, e todos, em geral, que dispunham da menor influência, e, além desses, os governantes das diversas cidades, e os soldados, e o povo, ainda assim ela se mostrou vitoriosa, por ser o Verbo de Deus, cuja natureza é tal que não pode ser impedido. E, tornando-se mais poderosa do que todos esses adversários, ela se tornou senhora de toda a Grécia e de uma porção considerável das terras bárbaras, e reuniu incontáveis almas para a sua religião. E embora, entre a multidão de convertidos ao cristianismo, os simples e ignorantes necessariamente fossem mais numerosos do que os mais inteligentes, como sempre acontece com os primeiros em relação aos segundos, ainda assim Celso, sem querer notar isso, pensa que esta doutrina filantrópica, que alcança toda alma sob o sol, é vulgar e, por causa de sua vulgaridade e de sua falta de força de raciocínio, só conseguiu adesão entre os ignorantes. E no entanto ele mesmo admite que não foram apenas os simples que foram levados pela doutrina de Jesus a adotar a sua religião, pois reconhece que havia entre eles algumas pessoas de inteligência mediana, de índole branda e dotadas de entendimento, e capazes de compreender alegorias.
E como, à imitação de um retórico que treina um aluno, ele introduz um judeu que entra numa discussão pessoal com Jesus e fala de maneira muito pueril, totalmente indigna dos cabelos grisalhos de um filósofo, deixe-me tentar, na medida das minhas forças, examinar as suas afirmações e mostrar que ele não mantém, ao longo da discussão, a coerência devida ao caráter de um judeu. Pois ele o representa disputando com Jesus e refutando-O, como pensa, em muitos pontos. E, em primeiro lugar, acusa-O de ter inventado o seu nascimento de uma virgem, e censura-O por ter nascido em certa aldeia judaica, de uma mulher pobre da região, que ganhava o seu sustento fiando, e que foi posta para fora de casa pelo marido, um carpinteiro de ofício, porque foi flagrada em adultério. Diz que, depois de expulsa pelo marido e de vagar por algum tempo, ela vergonhosamente deu à luz Jesus, um filho ilegítimo, o qual, tendo-se empregado como servo no Egito por causa de sua pobreza, e tendo ali adquirido alguns poderes prodigiosos, dos quais os egípcios muito se orgulham, voltou para a sua terra, muito envaidecido com eles, e, por meio deles, proclamou-se um deus. Ora, como não posso deixar sem exame nada do que dizem os incrédulos, mas tenho de investigar tudo desde o princípio, dou a minha opinião de que todas essas coisas se harmonizam dignamente com as predições de que Jesus é o Filho de Deus.
Pois o nascimento é um auxílio para que um indivíduo se torne famoso, ilustre e comentado, isto é, quando os pais de um homem por acaso ocupam uma posição de prestígio e influência, e possuem riqueza, e podem gastá-la na educação do filho, e quando a terra natal é grande e ilustre. Mas, quando um homem que tem tudo isso contra si é capaz, apesar de tais obstáculos, de se fazer conhecido, de causar impressão nos que ouvem dele, e de se tornar ilustre e visível ao mundo inteiro, que passa a falar dele como antes não fazia, como podemos deixar de admirar tal natureza, que é ao mesmo tempo nobre em si mesma, que se dedica a grandes feitos e que possui uma coragem de modo algum desprezível? E se alguém examinasse mais a fundo a história de tal indivíduo, por que não buscaria saber de que maneira ele, depois de criado na frugalidade e na pobreza, e sem receber nenhuma educação completa, e sem ter estudado os sistemas e as opiniões com os quais poderia ter adquirido a confiança de conviver com multidões, de bancar o demagogo e de atrair para si muitos ouvintes, ainda assim se dedicou ao ensino de novas opiniões, introduzindo entre os homens uma doutrina que não só subvertia os costumes dos judeus, embora preservando o devido respeito por seus profetas, mas que sobretudo derrubava as observâncias estabelecidas dos gregos a respeito da Divindade? E como poderia tal pessoa, criada desse modo, e que, como admitem os seus caluniadores, nada de grande aprendeu dos homens, ter sido capaz de ensinar, de maneira nada desprezível, doutrinas como as que ensinou a respeito do juízo divino, dos castigos que hão de alcançar a maldade e das recompensas que hão de ser conferidas à virtude, de modo que não só indivíduos rústicos e ignorantes foram conquistados por suas palavras, mas também não poucos dos que se distinguiam pela sabedoria e que eram capazes de discernir o sentido oculto naquelas doutrinas mais comuns, como eram consideradas, que circulavam, e cujo sentido secreto envolvia, por assim dizer, alguma significação ainda mais recôndita? O serífio, em Platão, que repreende Temístocles depois de este se ter tornado célebre por sua perícia militar, dizendo que a sua reputação se devia não aos seus próprios méritos, mas à sua boa sorte de ter nascido no país mais ilustre da Grécia, recebeu do bem-humorado ateniense, que via que a sua terra natal de fato contribuíra para a sua fama, a seguinte resposta: Nem eu, se fosse serífio, teria sido tão ilustre como sou, nem você teria sido um Temístocles, ainda que tivesse tido a sorte de ser ateniense! E agora, o nosso Jesus, censurado por ter nascido numa aldeia, e não numa grega, nem pertencente a nenhuma nação amplamente estimada, e desprezado como filho de uma pobre mulher trabalhadora, e por, em razão de sua pobreza, ter deixado a sua terra natal e se empregado no Egito, e sendo, para usar o exemplo já citado, não só um serífio, por assim dizer, natural de uma ilha pequena e insignificante, mas até, por assim dizer, o mais reles dos serífios, ainda assim conseguiu abalar todo o mundo habitado, não só num grau muito acima do que Temístocles, o ateniense, jamais fez, mas além do que mesmo Pitágoras, ou Platão, ou qualquer outro sábio em qualquer parte do mundo, ou qualquer príncipe ou general, jamais conseguiram fazer.