Contra Celso - Livro I 2

A acusação de Celso e a defesa do cristianismo

Depois disso, movido por algum motivo que desconheço, Celso afirma que é pelos nomes de certos demônios e pelo uso de encantamentos que os cristãos parecem possuir poder miraculoso, insinuando, suponho, as práticas dos que expulsam espíritos maus por encantamentos. E aqui ele claramente parece caluniar o Evangelho. Pois não é por encantamentos que os cristãos parecem prevalecer sobre os espíritos maus, mas pelo nome de Jesus, acompanhado do anúncio das narrativas que se referem a ele. A repetição dessas narrativas tem sido, com frequência, o meio de expulsar demônios das pessoas, sobretudo quando os que as repetiam o faziam com um espírito sadio e de genuína. Tamanho é o poder que o nome de Jesus possui sobre os espíritos maus que houve casos em que ele foi eficaz mesmo quando pronunciado por homens maus, o que o próprio Jesus ensinou que aconteceria, quando disse: Muitos me dirão naquele dia: Em teu nome expulsamos demônios e fizemos muitas maravilhas. Se Celso omitiu isso por intenção deliberada ou por ignorância, eu não sei. E ele em seguida passa a acusar o próprio Salvador, alegando que foi por meio de feitiçaria que ele conseguiu realizar as maravilhas que fez, e que, prevendo que outros alcançariam o mesmo conhecimento e fariam as mesmas coisas, gabando-se de fazê-las pela ajuda do poder de Deus, ele os exclui do seu reino. E a acusação dele é a seguinte: se eles são excluídos com justiça, enquanto o próprio Jesus é culpado das mesmas práticas, então Jesus é um homem mau; mas, se Jesus não é culpado de maldade ao fazer tais coisas, então também não o são os que fazem o mesmo que ele. Mas, ainda que seja impossível mostrar por qual poder Jesus operou esses milagres, está claro que os cristãos não usam feitiços nem encantamentos, e sim o simples nome de Jesus e certas outras palavras nas quais depositam fé, segundo as santas Escrituras.