Contra Celso - Livro I 2
A acusação de Celso e a defesa do cristianismo
O primeiro ponto que Celso levanta, no desejo de desacreditar o cristianismo, é que os cristãos formavam entre si associações secretas, contra a lei. Ele diz que algumas associações são públicas e estão de acordo com as leis, mas outras são secretas e mantidas em violação das leis. E quer pôr em má fama o que se chama de festas de amor dos cristãos, como se tivessem nascido de um perigo comum e fossem mais obrigatórias do que qualquer juramento. Já que ele tagarela sobre a lei pública, alegando que as associações dos cristãos a violam, temos a responder o seguinte: se alguém fosse colocado entre os cítios, cujas leis eram ímpias, e, sem nenhuma chance de fuga, fosse obrigado a viver entre eles, esse homem teria boa razão, em nome da lei da verdade (que os cítios considerariam maldade), para entrar em associações contra as leis deles, ao lado dos que pensassem como ele. Da mesma forma, se a verdade é quem decide, as leis dos pagãos a respeito de imagens e de um politeísmo ateu são leis cíticas, ou até mais ímpias do que essas, se é que existem leis assim. Não é, portanto, irracional formar associações contra as leis vigentes, se isso for feito em nome da verdade. Pois assim como agiriam bem aqueles que formassem uma associação secreta para matar um tirano que se apoderou da liberdade de um Estado, do mesmo modo os cristãos, quando tiranizados por aquele que é chamado de diabo e pela falsidade, formam alianças contra as leis do diabo, contra o poder dele, e em favor da segurança daqueles outros que conseguirem convencer a se rebelar contra um governo que é, por assim dizer, cítico e despótico.