Confissões - Livro XI 8
Livro XI: o tempo e a eternidade, e o início do comentário ao Gênesis
Por que, eu vos pergunto, Senhor meu Deus? De algum modo o vejo, mas como exprimi-lo eu não sei, a não ser que tudo o que começa a ser e deixa de ser, então começa a ser e então deixa de ser, quando se reconhece, na razão eterna, que devia começar ou deixar de ser, ali onde nada começa nem deixa de ser. Esta é a vossa Palavra, que também é o Princípio, porque também nos fala. Assim, no Evangelho, ela fala por meio da carne, e isto ressoou de fora nos ouvidos dos homens, para que fosse crido e por dentro buscado e encontrado na verdade eterna, onde o bom e único Mestre ensina a todos os seus discípulos. Ali ouço a vossa voz, Senhor, que me diz que somente aquele nos fala que nos ensina; mas quem não nos ensina, ainda que fale, não nos fala. Ora, quem nos ensina senão a verdade estável? Pois, mesmo quando somos advertidos por meio de uma criatura mutável, somos conduzidos à verdade estável, onde verdadeiramente aprendemos, quando estamos firmes e o ouvimos, e nos alegramos com grande alegria por causa da voz do Esposo, restituindo-nos àquele de quem somos. E por isso é o Princípio, porque, se ele não permanecesse enquanto andávamos errados, não haveria para onde voltar. Mas, quando voltamos do erro, é certamente conhecendo que voltamos; e, para que conheçamos, ele nos ensina, porque é o Princípio e nos fala.