Confissões - Livro VII 4

Livro VII: a libertação do materialismo e a leitura dos livros dos platônicos

Pois assim me esforçava por descobrir o restante, como quem havia descoberto ser melhor o incorruptível que o corruptível; e por isso confessava que Vós, fosseis o que fôsseis, éreis incorruptível. Porque nenhuma alma jamais pôde nem poderá conceber algo que seja melhor do que Vós, que sois o sumo e ótimo bem. Mas, como muito verdadeira e certissimamente se prefere o incorruptível ao corruptível, assim como eu o preferia, podia agora com o pensamento atingir algo que fosse melhor do que o meu Deus, se Vós não fôsseis incorruptível. Onde, pois, eu via que o incorruptível havia de ser preferido ao corruptível, ali devia buscar-Vos, e dali observar onde está o mal, isto é, donde vem a própria corrupção, pela qual de modo nenhum pode ser violada a vossa substância. Porque de nenhum modo a corrupção viola o nosso Deus: por nenhuma vontade, por nenhuma necessidade, por nenhum acaso imprevisto, pois Ele mesmo é Deus, e o que para si quer é bom, e Ele mesmo é esse bem; mas ser corrompido não é bom. Nem sois constrangido contra a vossa vontade a coisa alguma, porque a vossa vontade não é maior do que o vosso poder. Maior, no entanto, seria, se Vós mesmo fôsseis maior do que Vós mesmo: pois a vontade e o poder de Deus é o próprio Deus. E que poderia ser imprevisto para Vós, que conheceis todas as coisas? E não natureza alguma senão porque Vós a conheceis. E por que dizemos tantas palavras sobre por que não é corruptível a substância que é Deus, quando, se isto fosse, não seria Deus?