Confissões - Livro VII 14

Livro VII: a libertação do materialismo e a leitura dos livros dos platônicos

Não saúde naqueles a quem desagrada alguma coisa de vossa criação, assim como não a havia em mim, quando me desagradavam muitas das coisas que fizestes. E porque minha alma não ousava desagradar-se de meu Deus, não queria que fosse vosso aquilo que lhe desagradava. E daí passara à opinião das duas substâncias, e não repousava, e proferia coisas alheias à verdade. E voltando de lá, fizera para si um deus através dos infinitos espaços de todos os lugares, e o julgara serdes Vós, e o alojara em seu coração, e tornara-se de novo o templo de seu próprio ídolo, abominável a Vós. Mas depois que afagastes a cabeça do que não sabia, e fechastes meus olhos para que não vissem a vaidade, cessei um pouco de mim mesmo, e adormeceu minha insânia; e despertei em Vós, e vi-Vos infinito de outro modo, e essa visão não era tirada da carne.