Confissões - Livro VII 12

Livro VII: a libertação do materialismo e a leitura dos livros dos platônicos

E tornou-se manifesto a mim que boas são as coisas que se corrompem; as quais nem se fossem os sumos bens poderiam corromper-se, nem se não fossem boas. Porque, se fossem os sumos bens, seriam incorruptíveis; mas, se nenhum bem houvesse nelas, não haveria nelas o que se pudesse corromper. Pois a corrupção causa dano, e, se não diminuísse o bem, não causaria dano. Ou, portanto, a corrupção nenhum dano causa, o que não pode ser, ou, o que é certíssimo, todas as coisas que se corrompem são privadas de algum bem. Mas, se de todo o bem forem privadas, de modo algum existirão. Pois, se existirem e não puderem corromper-se, serão melhores, porque permanecerão incorruptíveis. E que coisa mais monstruosa do que dizer que elas, perdido todo o bem, se tornaram melhores? Logo, se de todo o bem forem privadas, de modo algum existirão; logo, enquanto existem, são boas; logo, todas as coisas que existem são boas, e aquele mal cuja origem eu buscava não é substância, porque, se substância fosse, seria boa. Pois ou seria substância incorruptível, e por certo grande bem, ou seria substância corruptível, a qual, se não fosse boa, não poderia corromper-se. E assim vi e tornou-se manifesto a mim que Vós fizestes todas as coisas boas, e que absolutamente não nenhuma substância que Vós não tenhais feito. E, porque não fizestes todas as coisas iguais, por isso existem todas: porque cada uma é boa, e todas juntas muito boas, pois o nosso Deus fez todas as coisas muito boas.