A Cidade de Deus - Livro XVIII 4
Livro XVIII: a cidade terrena em paralelo, dos assírios a Roma, e os profetas de Israel
Dos tempos de Jacó e de seu filho José
No reinado de Baleu, nono rei da Assíria, e de Mesapo, oitavo de Sícion, que por alguns é dito ter sido também chamado Cefiso (se de fato o mesmo homem teve ambos os nomes, e se aqueles que registram o outro nome em seus escritos não o confundiram antes com outro homem), enquanto Ápis era terceiro rei de Argos, morreu Isaque, com cento e oitenta anos de idade, deixando seus filhos gêmeos com cento e vinte anos.
Jacó, o mais novo dentre eles, pertencia à cidade de Deus sobre a qual escrevemos (sendo o mais velho inteiramente rejeitado), e teve doze filhos, um dos quais, chamado José, foi vendido por seus irmãos a mercadores que desciam ao Egito, enquanto seu avô Isaque ainda vivia. Mas, quando tinha trinta anos de idade, José apresentou-se diante do Faraó, sendo elevado da humilhação que padecera, porque, interpretando por inspiração divina os sonhos do rei, predisse que haveria sete anos de fartura, cuja riquíssima abundância seria consumida por outros sete anos de fome que se seguiriam.
Por essa razão, o rei o constituiu governador do Egito, libertando-o da prisão, na qual fora lançado por haver guardado intacta a sua castidade; pois ele bravamente a preservou da senhora que perversamente o amava, e que, mentindo a seu fraco e crédulo marido, o acusou, porque ele não consentira em cometer adultério com ela, mas fugira dela, deixando-lhe a veste nas mãos quando o agarrou. No segundo dos sete anos de fome, Jacó desceu ao Egito até seu filho com tudo o que possuía, tendo cento e trinta anos de idade, como ele mesmo declarou em resposta à pergunta do rei.
José tinha então trinta e nove anos, se acrescentarmos sete anos de fartura e dois de fome aos trinta que ele contava quando foi honrado pelo rei.