A Cidade de Deus - Livro XVIII 25

Livro XVIII: a cidade terrena em paralelo, dos assírios a Roma, e os profetas de Israel

Que filósofos foram célebres quando Tarquínio Prisco reinava sobre os romanos e Zedequias sobre os hebreus, quando Jerusalém foi tomada e o templo destruído

Quando Zedequias reinava sobre os hebreus, e Tarquínio Prisco, o sucessor de Anco Márcio, sobre os romanos, o povo judeu foi levado cativo para a Babilônia, sendo destruídos Jerusalém e o templo edificado por Salomão. Pois os profetas, ao repreendê-los por sua iniquidade e impiedade, predisseram que essas coisas haveriam de acontecer, especialmente Jeremias, que até indicou o número de anos. Conta-se que Pítaco de Mitilene, outro dos sábios, viveu naquele tempo.
E Eusébio escreve que, enquanto o povo de Deus era mantido cativo na Babilônia, viveram os outros cinco sábios, que se devem acrescentar a Tales, que mencionamos acima, e a Pítaco, a fim de completar o número de sete. São estes: Sólon de Atenas, Quílon de Lacedemônia, Periandro de Corinto, Cleóbulo de Lindos e Bias de Priene. Estes floresceram depois dos poetas teólogos, e foram chamados sábios porque sobressaíam aos demais homens em certo louvável modo de vida, e resumiam alguns preceitos morais em ditos sentenciosos.
Mas não deixaram à posteridade nenhum monumento literário, exceto que se atribui a Sólon ter dado certas leis aos atenienses, e Tales foi um filósofo da natureza, e deixou livros de sua doutrina em breves provérbios. Naquele tempo do cativeiro judaico, floresceram os filósofos da natureza Anaximandro, Anaxímenes e Xenófanes. Pitágoras também viveu então, e foi nesse tempo que o nome de filósofo foi usado pela primeira vez.