A Cidade de Deus - Livro XVII 22
Livro XVII: os profetas e as promessas de Cristo e da Igreja desde Samuel
De Jeroboão, que profanou o povo a ele submetido com a impiedade da idolatria, em meio à qual, contudo, Deus não cessou de inspirar os profetas e de guardar muitos do crime da idolatria
Mas Jeroboão, rei de Israel, com a mente perversa, não crendo em Deus, a quem havia provado verdadeiro em prometer e em conceder-lhe o reino, teve medo de que, vindo ao templo de Deus que estava em Jerusalém, para onde, segundo a lei divina, aquela nação inteira devia vir a fim de sacrificar, o povo fosse seduzido para longe dele e voltasse à linhagem de Davi como à descendência real; e estabeleceu a idolatria em seu reino e, com horrível impiedade, iludiu o povo, enredando-o consigo no culto dos ídolos.
Contudo, Deus não cessou de todo de repreender, por meio dos profetas, não apenas aquele rei, mas também os seus sucessores e imitadores em sua impiedade, e o povo igualmente. Pois ali surgiram os grandes e ilustres profetas Elias e Eliseu, seu discípulo, que também realizaram muitas obras maravilhosas. Ali mesmo, quando Elias disse: "Ó Senhor, mataram os teus profetas, derrubaram os teus altares; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida", foi-lhe respondido que ali havia sete mil homens que não tinham dobrado o joelho a Baal.