A Cidade de Deus - Livro XVII 21

Livro XVII: os profetas e as promessas de Cristo e da Igreja desde Samuel

Dos reis posteriores a Salomão, tanto em Judá quanto em Israel

Quanto aos demais reis dos hebreus posteriores a Salomão, dificilmente se encontra que tenham profetizado, por meio de certas palavras ou ações enigmáticas suas, algo que possa pertencer a Cristo e à Igreja, seja em Judá, seja em Israel; pois assim eram chamadas as partes daquele povo, quando, por causa da ofensa de Salomão, a partir do tempo de Roboão, seu filho, que lhe sucedeu no reino, este foi dividido por Deus como castigo.
As dez tribos, com efeito, que Jeroboão, o servo de Salomão, recebeu, sendo constituído rei em Samaria, foram distintamente chamadas Israel, embora este tivesse sido o nome de todo aquele povo; mas as duas tribos, a saber, de Judá e de Benjamim, que, por causa de Davi, para que o reino não fosse inteiramente arrancado de sua linhagem, permaneceram sujeitas à cidade de Jerusalém, foram chamadas Judá, porque esta era a tribo da qual Davi descendia. Mas Benjamim, a outra tribo que, como se disse, pertencia ao mesmo reino, era aquela da qual descendia Saul antes de Davi.
Mas estas duas tribos juntas, como se disse, foram chamadas Judá, e por este nome distinguiam-se de Israel, que era o título distintivo das dez tribos sob seu próprio rei. Pois a tribo de Levi, porque era a tribo sacerdotal, vinculada à servidão de Deus, não dos reis, era contada como a décima terceira. Pois José, um dos doze filhos de Israel, não formou, como os outros, uma tribo, mas duas: Efraim e Manassés. Contudo, também a tribo de Levi pertencia mais ao reino de Jerusalém, onde estava o templo de Deus, a quem ela servia.
Na divisão do povo, portanto, Roboão, filho de Salomão, reinou em Jerusalém como o primeiro rei de Judá, e Jeroboão, servo de Salomão, em Samaria como rei de Israel. E quando Roboão quis, como um tirano, perseguir com guerra aquela parte separada, o povo foi proibido por Deus de combater seus irmãos, o qual lhes declarou, por meio de um profeta, que Ele havia feito isto; donde se evidenciou que neste assunto não houvera pecado algum, nem do rei nem do povo de Israel, mas a vontade cumprida de Deus vingador. Conhecido isto, ambas as partes acomodaram-se pacificamente, pois a divisão feita não fora religiosa, mas política.