A Cidade de Deus - Livro XV 19
Livro XV: o progresso das duas cidades, de Caim e Abel até o Dilúvio
O significado da trasladação de Enoque
Pois também aquela linhagem da qual Sete é o pai tem o nome de "Dedicação" na sétima geração a partir de Adão, contando o próprio Adão. Com efeito, o sétimo a partir dele é Enoque, isto é, Dedicação. Mas este é aquele homem que foi trasladado porque agradou a Deus, e que ocupou, na ordem das gerações, um lugar notável, sendo o sétimo a partir de Adão, número assinalado pela consagração do sábado. Porém, contando a partir do ponto em que as duas linhagens divergem, ou seja, a partir de Sete, ele era o sexto. Ora, foi no sexto dia que Deus fez o homem e consumou as suas obras.
Mas a trasladação de Enoque prefigurou a nossa dedicação diferida; pois, embora ela já esteja de fato realizada em Cristo, nossa Cabeça, que de tal modo ressuscitou que não mais morrerá, e que Ele próprio também foi trasladado, resta contudo uma outra dedicação da casa inteira, da qual o próprio Cristo é o fundamento, e essa dedicação está diferida até o fim, quando todos ressuscitarão para não mais morrer. E quer se diga que é a casa de Deus, ou o templo de Deus, ou a cidade de Deus que é dedicada, tudo é o mesmo, e igualmente conforme o uso da língua latina.
Pois o próprio Virgílio chama a cidade de mais amplo império "a casa de Assáraco", referindo-se aos romanos, que descendiam, por meio dos troianos, de Assáraco. Chama-os também a casa de Eneias, porque Roma foi edificada por aqueles troianos que tinham vindo à Itália sob a liderança de Eneias. Pois aquele poeta imitou as escrituras sagradas, nas quais a nação hebraica, embora tão numerosa, é chamada a casa de Jacó.