A Cidade de Deus - Livro XIX 22
Livro XIX: o sumo bem, a verdadeira paz e a felicidade das duas cidades
Se o Deus a quem os cristãos servem é o Deus verdadeiro, o único a quem o sacrifício deve ser oferecido
Mas pode-se replicar: Quem é este Deus, ou que prova há de que só Ele é digno de receber sacrifício dos romanos? É preciso estar muito cego para ainda estar perguntando quem é este Deus. Ele é o Deus cujos profetas predisseram as coisas que vemos realizadas. Ele é o Deus de quem Abraão recebeu a garantia: "Na tua semente serão benditas todas as nações." Que isto se cumpriu em Cristo, o qual, segundo a carne, brotou daquela semente, é reconhecido, queiram ou não, até por aqueles que continuaram a ser inimigos deste nome.
Ele é o Deus cujo Espírito divino falou pelos homens cujas predições citei nos livros anteriores, e que se cumprem na Igreja que se estendeu por todo o mundo. Este é o Deus que Varrão, o mais erudito dos romanos, supôs ser Júpiter, embora não saiba o que diz; contudo, julgo justo notar a circunstância de que um homem de tanta erudição não foi capaz de supor que este Deus não existisse ou fosse desprezível, mas o creu ser o mesmo que o Deus supremo.
Em suma, Ele é o Deus que Porfírio, o mais erudito dos filósofos, ainda que o mais acerbo inimigo dos cristãos, confessa ser um grande Deus, e isso mesmo segundo os oráculos daqueles que ele tem por deuses.