A Cidade de Deus - Livro XIII 8
Livro XIII: a queda, a entrada da morte e o pecado original
Que os santos, ao sofrerem a primeira morte por amor da verdade, são libertados da segunda
Pois, se examinarmos a questão com um pouco mais de atenção, veremos que, mesmo quando um homem morre com fidelidade e de modo louvável por amor da verdade, é ainda da morte que ele foge. Pois ele se submete a uma parte da morte com o próprio propósito de evitá-la por inteiro, e de evitar a segunda e eterna morte que se acrescenta. Ele se submete à separação da alma e do corpo, para que a alma não seja separada tanto de Deus quanto do corpo, e assim não se complete a primeira morte por inteiro, e a segunda morte não o receba para sempre.
Por isso a morte é, de fato, como eu disse, boa para ninguém enquanto está sendo realmente sofrida, e enquanto submete ao seu poder aquele que morre; mas é suportada com mérito por amor de reter ou de conquistar aquilo que é bom. E quanto ao que sucede depois da morte, não é absurdo dizer que a morte é boa para os bons e má para os maus. Pois os espíritos desencarnados dos justos estão em repouso; mas os dos ímpios padecem castigo até que os seus corpos ressuscitem, os dos justos para a vida eterna, e os dos outros para a morte eterna, que é chamada a segunda morte.