A Cidade de Deus - Livro XI 3

Livro XI: o início das duas cidades, a criação do mundo e a natureza dos anjos

Da autoridade das Escrituras canônicas compostas pelo Espírito divino

Este Mediador, tendo dito o que julgou suficiente, primeiro pelos profetas, depois por seus próprios lábios e, em seguida, pelos apóstolos, produziu ainda a Escritura que se chama canônica, a qual possui autoridade soberana e à qual concedemos nosso assentimento em todas as questões que não devemos ignorar e que, contudo, não podemos conhecer por nós mesmos.
Pois, se alcançamos o conhecimento dos objetos presentes pelo testemunho de nossos próprios sentidos, sejam eles internos ou externos, então, quanto aos objetos afastados de nossos sentidos, precisamos de outros que tragam o seu testemunho, visto que não podemos conhecê-los pelos nossos próprios, e damos crédito às pessoas a quem esses objetos estiveram ou estão sensivelmente presentes.
Por conseguinte, assim como no caso dos objetos visíveis que não vimos confiamos naqueles que os viram (e do mesmo modo com todos os objetos sensíveis), também no caso das coisas que são percebidas pela mente e pelo espírito, isto é, das que estão afastadas de nosso próprio sentido interior, convém-nos confiar naqueles que as viram postas naquela luz incorpórea, ou que as contemplam de modo permanente.