A Cidade de Deus - Livro XI 20

Livro XI: o início das duas cidades, a criação do mundo e a natureza dos anjos

Das palavras que se seguem à separação entre a luz e as trevas: "E viu Deus que a luz era boa"

Não devemos, pois, passar por esta passagem da Escritura sem observar que, quando Deus disse "Haja luz, e houve luz", logo se acrescentou: "E viu Deus que a luz era boa." Nenhuma expressão semelhante se seguiu à afirmação de que Ele separou a luz das trevas, e chamou à luz Dia e às trevas Noite, para que o selo de Sua aprovação não parecesse posto sobre tais trevas, tanto quanto sobre a luz.
Pois quando as trevas não eram objeto de desaprovação, como quando foram separadas, pelos corpos celestes, desta luz que nossos olhos distinguem, a afirmação de que Deus viu que era boa é inserida não antes, mas depois de registrada a divisão. "E Deus os pôs", assim diz a passagem, "no firmamento do céu, para iluminar a terra, e para governar o dia e a noite, e para separar a luz das trevas: e viu Deus que era bom." Pois Ele aprovou a ambos, porque ambos eram isentos de pecado.
Mas onde Deus disse "Haja luz, e houve luz; e viu Deus que a luz era boa", e a narrativa prossegue, "e separou Deus a luz das trevas: e chamou Deus à luz Dia, e às trevas chamou Noite", não foi acrescentada, neste lugar, a afirmação "E viu Deus que era bom", para que ambas não fossem designadas boas, ao passo que uma delas era má, não por natureza, mas por culpa própria. E portanto, neste caso, somente a luz recebeu a aprovação do Criador, enquanto as trevas angélicas, embora tivessem sido ordenadas, contudo não foram aprovadas.